sábado, novembro 17, 2012

Cultivo


Amar, depois de um tempo, vira mecânico. O amor estabelecido, de casa, sem explosões é a sensação de bem estar mais cômoda que existe: não se esforça, não grita emoção – apenas existe. É grande sim. Mas não coça o peito. É apenas bom saber que está ali.
Então ele acaba se escondendo em meio a tantos outros acontecimentos que perde o sabor, a cor. Daí a necessidade de se reinventar de tempos em tempos: pra gente tirar o sentimento debaixo da poeira da rotina e lembrar o quanto ele nos é caro. E que se ele nos deixar, vamos sentir falta como se tivessem nos arrancado um pedaço.
Relembrar os motivos que nos fazem continuar amando é um dos exercícios mais simples – e também mais negligenciados. Aproveitar um sorriso para dar um beijo. Estender um momento que poderia ser deixado pra trás por pressa, por comodismo. Uma palavra. Uma música. Uma mordida, um sorriso...

Disarm you with a smile

Não desistir. Não se entregar. Não esquecer. Não resumir-se a sentir sem demonstrar.
Passa-se a vida inteira na busca, a mais incerta de todas: querer alguém parecido. Alguém que entenda cada traço do teu sentir, que já tenha passado por dores que tenham lhe transformado em um ser humano mais humano, mais sensível. Alguém que valorize o que antes lhe foi desvalorizado. Alguém que cuide de você por saber que o descaso dói.
Andar pela cidade prestando atenção aos mínimos detalhes, com os olhos mais abertos.
Então a pessoa aparece. Aquela pessoa.
Nessas horas a vida parece te mostrar que tudo o que passou, passou, e o que está na sua frente é infinitamente maior, promissor, lindo, puro, certo. O coração bate mais rápido, se enche de esperança. E você espera que essa pessoa veja em você algo diferente, aquele encanto único que só duas almas compatíveis podem ter.  Sente-se em casa. Coração tranquilo com a escolha feita...
Ainda assim, deixa o tempo te trair, te fazer esquecer o caminho solitário que trilhou até lá. Cai na armadilha da rotina, faz perder a cor, o sabor, o motivo.
O amor não se renova por si; precisa ser alimentado, cultivado.
Nunca é demais rememorar o quanto é bom amar e ser amado.


... send this smile over to you.

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