domingo, agosto 12, 2012

Experimento de desilusão


Como em toda separação brusca, dolorida e tomada contra a vontade do coração, mas em prol de um bem maior – a própria sobrevivência a longo prazo deste – é difícil de seguir em frente.
Atordoado pela nova realidade a que precisa se acostumar, viver só enquanto quer viver junto, o coração se perde em lembranças e esperanças – estas últimas, fugas para quando deseja se sentir minimamente bem. Jogar mais à frente a possibilidade de uma reconciliação, quando o que ocasionou a separação mudar ou simplesmente sumir, acalma e conforta.
É o famoso: “O futuro a Deus pertence”.
Pensar que dentro de meses ou até mesmo anos, os caminhos antes separados voltarão a se encontrar no fim de estrada. The long and winding road. A esperança é de ressentimentos vencidos, maturidade já alcançada, nova mentalidade, vida nova. Uma nova escolha, mais consciente, a alusão a uma nova era, reiniciada sem os erros do passado que ocasionaram a indesejada ruptura.
A saudade é tão grande no reencontro, que tudo resplandece. Idealização pura de um coração cansado, em busca do seu lugar-comum, sua antiga casa. À primeira vista, as promessas feitas parecem ter sido cumpridas e renovam expectativas.
Não sou de buscar notícias. Se decido me reunir, prefiro vivenciar as promessas, acompanhar de perto o seu cumprimento.
Traçar perfis por meio de terceiros não faz o meu perfil.
Daí então, vem a decepção de perceber por si só que nada mudou. Ver com os próprios olhos e sentir de perto que os conselhos dados por amigos, parentes e psicólogos tinham razão de ser. Os sonhos postos à mesa, que tanto reluziam, eram apenas palavras ecoadas em busca de nada menos que o próprio conforto. Coração lutando contra a mente, de um lado e de outro.
Coração cansado queria acreditar na ilusão da mudança. O dele, cansado de se sentir só, acata exigências apenas de forma aparente, para mais na frente voltar a ser quem sempre foi. Porque não existe adaptação forçada que resista a longo prazo.
E no fim de tudo, todos sempre voltamos a ser o que somos. Ninguém muda à base de promessas feitas a outrem; é preciso sentir no âmago a vontade de transformar e não apenas adaptar-se à força.
Mudar precisa vir de dentro para fora. Daí então os caminhos poderiam seguir juntos, até o fim da estrada, sem mais nenhuma interrupção.

Nenhum comentário: