segunda-feira, agosto 03, 2009

"Me sinto melhor agora..."

Levantei. Olhei pro relógio e ainda eram 7h30. Meu trabalho começa às 9h, então essa seria uma hora razoável para levantar porque fazendo as contas: 15 minutos pro banho (de manhã não lavo o cabelo), 15 minutos pra se aprontar, 15 minutos pra fazer o café, 15 minutos pra comer.
Sair 8h30 de casa, às vezes 8h35, 8h40.
Dirigir observando a mesma paisagem já cansada. As mudanças ficam somente por conta das obras do governo que, no momento, mais atrapalham do que ajudam. Fica difícil ver algum benefício além. Além do que aquela confusão.

"Fica difícil ver algum benefício além da confusão..."

Penso nisso enquanto dirijo.
Na verdade o que incomoda é imaginar como as coisas se mostram estranhamente calmas depois da tempestade. As situação não é cômoda. Ela é mascarada pela falsa comodidade. A falsa aceitação: vamos fingir que está tudo bem para não gerar mais confusão.
Mas nem o coração, nem a lembrança mentem.
Basta um fio de memória para borrar a linha entre o cômodo e o sentimento de angústia. Precisa de tão pouco para isso acontecer...
Me faz pensar que é na atual situação é muito mais fácil ficar triste do que feliz. Pior: por escolha própria.

Volto e volto e volto os três primeiros segundos da música "Pursuit of Happiness", do Nuno Bettencourt, só pra ouvir ele falando: "I feel better now".
Dá pra me enganar com isso. Me sinto melhor agora.



"Força para vencer meus medos, ainda que a maré esteja alta.
Estou nadando de volta para a vida outra vez e abaixo.
(...)
Aprender o que fazer à medida que as coisas vão acontecendo, mas não há professor para orientar.
Ansiar, cair ao longo do caminho enevoado
Tão difícil de ver com os meus próprios olhos ...


Pare de olhar para trás
E dê continuidade ao show
É a única maneira, para que assim a vida flua adiante.
Ser o salvador de seus próprios,
Ninguém vai te dar brilho,
É uma coroa que você tem de construir sozinho"

(2nd Dawn)