quarta-feira, agosto 06, 2008

Geraçãozinha das com menos de 20




As mulheres belas, bem-instruídas e de bom gosto dos anos 90, geralmente, tinham por volta de 30 anos. Não sei se a maturidade demorava a chegar ou se de fato atingir este alto nível como ser humano era mais difícil. Sei que desde aquela época – e vale dizer, desde SEMPRE – as mulheres de 30 se sentiam ameaçadas por uma raça inferior. Falo das mulheres de 20. Mais novinhas, com rostinhos bonitinhos e a promessa de sexo bom, era com aquele jeitinho de cachorro sem dono e inteligência equiparada a tal, que elas conseguiam os melhores partidos para si.

Cá estamos nos anos 2000. A situação não mudou muito; acrescida apenas do fato de que é possível nivelar as antigas mulheres de 30 às mulheres de 20. Que bom, parece que aprendemos a ficar maduras, e com qualidade, mais cedo. Mulheres de 20 já trabalham em multinacionais, dirigem seus carros, compram suas Louis Vuitton’s, andam pra cima e pra baixo com seus laptops como símbolo da modernidade master exigida em suas profissões. Tudo melhorou: sua forma de pensar, agir, acreditar. O intelecto desenvolvido ao longo anos, hoje, é orgulho da geração atual.

Como nem tudo são flores, as ameaças continuam. Só que agora de um jeito assustador para não dizer no mínimo bizarro: quem nos ameaça agora são mulheres (ou seria melhor dizer meninas?) com menos de 20. Não finja que não entende do que eu falo...

Fico pensando na minha avó, que se estivesse viva, mal poderia acreditar na atual conjuntura das coisas: meninas com menos de 20 anos já querem viver vida de “adultas” sem ter a mínima maturidade/estrutura para tal. Saem na noite (algo inimaginável quando eu tinha essa idade, e olha que não faz assim tanto tempo), fumam, bebem (dando vexame), têm no currículo uma lista enorme de homens (sim, homens! Isso quer dizer que não são só “garotos”) e mais uma infinidade de atrocidades nada compatíveis com seu pouco tempo de vida inversamente proporcional a sua grande irresponsabilidade.

Fico também lembrando de como eu era quando tinha sua idade. Em vez da preocupação em atualizar o fotolog e reunir o maior número de “amigos” no orkut – como se isso, de longe, representasse algum tipo de popularidade – eu ficava trancada dentro do meu quarto sim (e com ar-condicionado ligado, como diria minha amiga Renata), mas estudando loucamente para fazer valer a fortuna que a minha mãe gastava com o colégio. Lembro que na época do vestibular, por volta de 2001 e 2002, contei nos dedos de uma mão as vezes que saí na “noite”. Eu lembro bem. Lembro que também passei mais de um ano sem ao menos chegar próximo do que seria ficar com alguém. Bem, pelo menos eu passei no vestibular da universidade federal, certo?

Agora eu me pergunto: o que diabos os HOMENS vêem nas meninas com menos de 20, que nos dias de hoje acham inconcebível ficar uma semana sem beijar – que diria um ano? O que acrescenta a companhia de alguém cujos assuntos mais recorrentes são o mundinho de Internet e as festinhas de All Night e afins? O que instigaria um relacionamento com uma pessoa desse tipo, que ainda não se achou como pessoa, mas ainda assim se atreve a bradar pelos quatro cantos do planeta que seu namoradinho de duas semanas já é o homem da sua vida?

O mundo taí, é tão grande, tem tanta coisa pra se ver, fazer, mudar. O amor é considerado algo tão medíocre que algumas conversas no MSN são suficientes para dizer um “eu te amo”. A geração das menos de 20 concorrem para isso, e conseqüentemente (ainda que sem querer, pois lhes falta a dita maturidade), fazer cair o nível das mulheres no mercado. Mulheres não, representantes do sexo feminino talvez. Porque para chegarem a ser mulheres elas ainda terão um longo caminho a trilhar.

So sad.