quarta-feira, março 26, 2008

Onda de calor

Não sei se é porque eu sou amazonense que o calor é algo inerente ao meu coração e à minha alma. Sempre fui mais dos abraços, dos sorrisos, da hospitalidade. O sacrifício torna-se prazer quando alguém estimado precisa de ajuda, de atenção. O tempo me ensinou que nem todo mundo é igual; dificilmente as pessoas são parecidas e raras são aquelas que funcionam no mesmo ritmo. Por isso não é possível esperar receber o tanto que ofereço.
Apesar disso, creio que os moradores do sudeste são influenciados pelo clima mais frio, tornando-os amenos em todos os sentidos: os dois beijinhos reduzem-se a um, os abraços tornam-se escassos e a individualidade parece sobrepor-se à presteza de estar ao lado de quem vem de longe. Oras, aqui falta calor. O tanto de dificuldades encontradas no dia-a-dia faz com que esses brasileiros suem para conseguir levar uma vida decente, para em contrapartida repudiarem o suor advindo de carinho, festa, entrega. A formalidade fala mais alto. E a amazonense, que tanto gosta de frio, sente falta do exagero efusivo (quando com justa intimidade) que tem a capacidade de fazer outrem se sentir em casa mesmo estando a milhas de distância.
Conhecendo tão bem estes dois lados, deveria ser fácil lidar com isso. Mas não é. Um quê de amazonense se faz necessário nesses paulistas, ainda que eu os ame. O sinal fecha, o carro pára e nada. Nem um movimento. Por que não acontece nada?
Quantos chãos frios de aeroporto é preciso conhecer para incutir na cabeça que o costumeiro calor não faz parte daqui? Talvez a vida seja mais fácil quando a gente se adapta; talvez eu deva me adaptar. Ou então talvez eu deva ser a onda de calor que falta nessa cidade, porque o "você faz falta" foi insistentemente repetido por esses dias.
Então por que não me abraça quando o sinal fecha?


"Te falo quem quer o bem para o seu amor: ama como é. E ama sua liberdade".

2 comentários:

Anônimo disse...

" e somos todos iguais, e tão diferentes"
e a quem torça por um sinal fechado pra poder dar um abraço apertado, um beijo de matar dias... ;)

saudades linda!

ei, é caminho, para aqui hoje =*

evol disse...

quem sabe somos tão mesquinhos que não nos damos conta que é só aceitar que somos apenas um grão.