domingo, novembro 11, 2007

Moonriver


Eu volto carregando algo que não sei o que é, talvez não seja nada e na verdade essa é a maior probabilidade. Eu volto carregando nada. Eu volto carregando o vazio.
Eu volto para ver os cenários de um show que já deveria ter encerrado há tempos. Cidade que parece ter encolhido... horas que se esticam.
Voltei para casa ouvindo Moonriver, na voz do Frank Sinatra. Era uma daqueles after-hours com o pessoal do trabalho que geralmente ocorrem às sextas, quando nosso pensamento está adiantado dois dias (sábado e domingo) e só mesmo uma cerveja gelada pra voltar a mente para o momento atual (mode workaholic: off).
Pois é, na maioria das vezes, após alguns copos, os pensamentos acabam por se confundir. São muitas risadas, papos intelectuais, besteiras, planos, lembranças... chega um, chega outro, a mesa fica pequena, traz mais cadeiras, traz mais uns copos, conta aquela história, ‘alguém quer ir ao banheiro?’, o que vamos fazer amanhã, etc...
Era um daqueles barzinhos ao ar livre. A lua se exibia orgulhosa, estava grande, gorda, branca... de vez em quando, em meio àquela maçonaria particular, eu me distraía só de pensar que aquela mesma lua estava se exibindo em outras partes do País onde eu desejaria estar mais no que em qualquer outro lugar do mundo, muito mais do que naquela mesa de bar rodeada de amigos bem-humorados.
Não sei se isso é egoísmo. Não encarei desse jeito. Uma vez, conversando com uma ex-colega de faculdade (não que ela tenha deixado de ser colega, eu que me enchi do curso de direito e tranquei) a respeito de findos namoros, ela solta algo que vira e mexe eu me lembro. Quando você sente falta de alguém, seja lá qual for a situação – o que inclui festa de aniversários de 80 anos, batizados, missas, arraial, show, trabalho, mesa de bar – é porque ainda dá pé. É porque ainda vale a pena dormir e acordar com a idéia fixa de trazer aquela pessoa para o mais perto impossível.
De todas as coisas fúteis do mundo – e não são poucas – creio que ficar com um alguém qualquer esteja no topo dessa lista. Mas eu ainda me surpreendo quando encontro uma alma compatível. E ao ouvir Moonriver, lembrei das vezes em que estive trabalhando, estudando, chorando ou sorrindo; momentos tão volúveis da vida; e quis mais do que tudo dividir apenas o momento de olhar a lua.
Será que já não deixei claro o bastante que essa saudade é imperecível?

"We're after the same rainbow's end
Waiting 'round the bend
My huckleberry friend
Moonriver and me"

posted by: Loy*

2 comentários:

Anônimo disse...

Um momento existe se vc o vê. Mas a realidade individual é sempre uma realidade parcial. A memória tem muito de ilusão assim como a realidade individual. São versões parciais.
Pelo menos pra mim, ao dividir um momento, ainda que simples com alguém, faz com que o momento, a vida, se torne um pouco mais real. A memória se torna então um pouco mais verdade.
Conversar não é fútil, dividir não é fútil. Fútil é deixar os momentos passarem sem que possam ser memoráveis, relembráveis. E para isso não importa se foram momentos de descobertas importantes para a humanidade ou simples visões da lua. Nada mais fútil do que passar uma vida sem lembranças.
Nada mais fútil que não sentir-se digno de uma mísero momento de reflexão.

Camelo disse...

Dependendo de com quem você divide isso tudo, pode tornar a memória fútil ou não. Às vzs eu penso que, ao contar um causo, por mais antigo que seja, ele só vira um pouco mais "real" e eu posso considera-lo um causo passado a frente se eu contar a uma pessoa em especial.
os outros, são só os outros (nesses casos).
mas não é sempre que isso acontece...