terça-feira, novembro 27, 2007

Mãe, não quero ser boazinha...


por Loyana Camelo
ESPECIAL PARA A CRÍTICA

Minha mãe definitivamente se encaixa no grupo de mulheres contemporâneas bem-resolvidas. Ao contrário das mães antiquadas, cujos costumeiros ensinamentos incluem “case-se por amor”, “dinheiro não traz felicidade”, “seja dócil”; nada disso fez parte da educação que ela deu à sua filha. Se tivesse sido escrito nos idos anos 80 (época em que nasci), o ótimo “Mulheres Boazinhas Não Enriquecem“ teria sido seu manual de instruções. Como o livro só foi lançado recentemente, coube a ela presentear-me com o mesmo.
O que seria, então, uma mulher boazinha? Em sua conotação literal, bondade é uma qualidade que muitos consideram ser intrínseca do sexo feminino. Mas não é essa bondade (no sentido mais próximo da caridade) abordada na obra. Falo aqui do sentido mais pejorativo do termo, daquele que classifica pessoas que não se importam fazer sacrifícios para ter a imagem de dócil.
De acordo com a autora toda-poderosa Louis P. Frankel, é justamente aí que está o erro.
Diferente daqueles livros cansativos de auto-ajuda, “Mulheres Boazinhas não Enriquecem” combina raciocínio financeiro com planejamento. Objetiva, antes de tudo, adentrar na cabeça dessas mulheres boazinhas e fazer elas entenderem de uma vez por todas que: não, os homens não são os únicos que entendem de dinheiro; não, não é ruim ser ambiciosa; sim, casar com um homem rico é uma ótima idéia. Entende? É preciso fugir desse tipo de ensinamento, comum entre as mães mais tradicionais (coisa que a minha, ainda bem, não é).
“Dinheiro é poder, e a maioria das meninas não é ensinada a ser poderosa – a maioria é ensinada a ser boa”, diz a autora em um dos trechos da obra. Pode espernear dizendo que não é boa... mas você só vai descobrir isso na íntegra depois de fazer o teste encontrado no primeiro capítulo. A “auto-avaliação - por que mulheres boazinhas não enriquecem” é uma forma de desvendar traços da personalidade feminina que muitas escondem.
Depois de responder a 42 perguntas (seja honesta, garota!), verifique porque você não é rica.
Ao longo de “Mulheres Boazinhas (...)”, são apontados 75 erros fatais que comprometem a situação financeira confortável. Para remediá-los, são dadas dicas perfeitamente aplicáveis ao dia-a-dia (nada de utopia). Tudo muito bem amarrado a uma linguagem fácil e exemplos divertidos.
Vale lembrar que as mulheres ricas não precisam ser, necessariamente, maldosas ou frias. O ensinamento mais valioso dado por Lois P. Frankel, dona Marly Camelo já havia dado há tempos para mim: dependa única e exclusivamente de você mesma. Ser ambiciosa não é algo ruim; quer dizer que você tem objetivos bem traçados na vida e não hesita em correr atrás para realizá-los. Garotas boazinhas se preocupam em manchar os vestidos ao longo da caminhada ao sucesso; as ambiciosas, deitam e rolam se assim for necessário.
Eu não quero ser boazinha!

(matéria divulgada no Jornal A Crítica dia 31 de julho de 2007)

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