quarta-feira, maio 23, 2007

Magnetismo inexplicável

Ainda era jovem. Havia casado cedo demais e, por conta disso, não teve muitas aventuras amorosas. Não que não amasse a esposa; apenas disse que gostaria de tê-la conhecido posteriormente em sua vida.
Era um jornalista formado. No primeiro semestre de faculdade, quando enfrentava a transição de menino para homem, começou a namorar. O tempo levou sua aparente juventude, de forma que aos 28 anos, sinta-se com o dobro.
O vinho arrancou-lhe uma confissão: "O casamento parecia ser o próximo passo". Com isso, percebi que ele havia subestimado todo o processo e por meio dessas palavras, revestia tal instituição com um caráter quase burocrático.
Mesmo com todo aquele peso nas costas, não deixava de sorrir um único minuto. Talvez porque soubesse que seu sorriso era lindo. Admirava sua perseverança de ter ganhado prestigiosa posição no ofício que escolhera - o mesmo que o meu - mesmo debaixo da reprovação dos pais. Era forte. Senti que ele parecia comigo.
Forte e sorria bonito. Mas chorava por dentro porque não entendia como a mulher da sua vida não lhe legava um casamento bom, excitante. Ele queria mais. "Na primeira semana de casados, quase me separei por conta de um Danete", foi sua próxima confissão. Achei tolo, fofo e trágico.
O vinho acabava e eu queria ouvir toda sua história, porque, incrivelmente, achava interessante tudo que se relacionava a sua vida. Um magnetismo difícil de explicar. No entanto o sono pegava no meu pé e eu lutava para manter meus olhos abertos. Acho que seria legal nessa hora, apenas fechar os olhos e ouvi-lo falar. Talvez debaixo de um céu estrelado.
Sei que ele não era bonito, mas toda aquela experiência forçada e semelhança de alma, a cara triste e o sorriso lindo, me fizeram gostar dele. De primeira. De um jeito diferente.
Olha só! Lá está ele. É hora de parar de rabiscar esse papel e se preparar para mais uma "dose" de boa conversa. Ele sorri artificialmente para prestar boas maneiras quando está perto dos outros, mas quando ele senta do meu lado, pode ser ele mesmo.
E eu ainda me fascino com esses simples e inesperados momentos da vida...

posted by: Loy*
ouvindo: Tender Surrender

3 comentários:

Anônimo disse...

Esta é uma história exemplar, só não está muito claro qual é o exemplo. De qualquer jeito, mantenha-a longe das crianças. Também não tem nada a ver com a crise brasileira, o apartheid, a situação na América Central ou no Oriente Médio ou a grande aventura do homem sobre a Terra. Situa-se no terreno mais baixo das pequenas aflições da classe média. Enfim. Aconteceu com um amigo meu. Fictício, claro.

Ele estava voltando para casa como fazia, com fidelidade rotineira, todos os dias à mesma hora. Um homem dos seus 40 anos, naquela idade em que já sabe que nunca será o dono de um cassino em Samarkand, com diamantes nos dentes, mas ainda pode esperar algumas surpresas da vida, como ganhar na loto ou furar-lhe um pneu. Furou-lhe um pneu. Com dificuldade ele encostou o carro no meio-fio e preparou-se para a batalha contra o macaco, não um dos grandes macacos que o desafiavam no jângal dos seus sonhos de infância, mas o macaco do seu carro tamanho médio, que provavelmente não funcionaria, resignação e reticências... Conseguiu fazer o macaco funcionar, ergueu o carro, trocou o pneu e já estava fechando o porta-malas quando a sua aliança escorregou pelo dedo sujo de óleo e caiu no chão. Ele deu um passo para pegar a aliança do asfalto, mas sem querer a chutou. A aliança bateu na roda de um carro que passava e voou para um bueiro. Onde desapareceu diante dos seus olhos, nos quais ele custou a acreditar. Limpou as mãos o melhor que pôde, entrou no carro e seguiu para casa. Começou a pensar no que diria para a mulher. Imaginou a cena. Ele entrando em casa e respondendo às perguntas da mulher antes de ela fazê-las.

— Você não sabe o que me aconteceu!

— O quê?

— Uma coisa incrível.

— O quê?

— Contando ninguém acredita.

— Conta!

— Você não nota nada de diferente em mim? Não está faltando nada?

— Não.

— Olhe.

E ele mostraria o dedo da aliança, sem a aliança.

— O que aconteceu?

E ele contaria. Tudo, exatamente como acontecera. O macaco. O óleo. A aliança no asfalto. O chute involuntário. E a aliança voando para o bueiro e desaparecendo.

— Que coisa - diria a mulher, calmamente.

— Não é difícil de acreditar?

— Não. É perfeitamente possível.

— Pois é. Eu...

— SEU CRETINO!

— Meu bem...

— Está me achando com cara de boba? De palhaça? Eu sei o que aconteceu com essa aliança. Você tirou do dedo para namorar. É ou não é? Para fazer um programa. Chega em casa a esta hora e ainda tem a cara-de-pau de inventar uma história em que só um imbecil acreditaria.

— Mas, meu bem...

— Eu sei onde está essa aliança. Perdida no tapete felpudo de algum motel. Dentro do ralo de alguma banheira redonda. Seu sem-vergonha!

E ela sairia de casa, com as crianças, sem querer ouvir explicações. Ele chegou em casa sem dizer nada. Por que o atraso? Muito trânsito. Por que essa cara? Nada, nada. E, finalmente:

— Que fim levou a sua aliança? E ele disse:

— Tirei para namorar. Para fazer um programa. E perdi no motel. Pronto. Não tenho desculpas. Se você quiser encerrar nosso casamento agora, eu compreenderei.

Ela fez cara de choro. Depois correu para o quarto e bateu com a porta. Dez minutos depois reapareceu. Disse que aquilo significava uma crise no casamento deles, mas que eles, com bom-senso, a venceriam.

— O mais importante é que você não mentiu pra mim.

E foi tratar do jantar.

Supernova disse...

E o seu nome ééééé...???
Vamos lá, qual a graça de postar sempre aqui e não estabelecer uma comunicação direta comigo pq não coloca seu nome? :P

e tenho dito!

Anônimo disse...

Mas há uma comunicação, só não há vínculos....quando me sentir a vontade, não tenha dúvida de que me identificarei....


ps.: esperando outra postagem!

;)