quarta-feira, janeiro 31, 2007

E eu disse fica bem, que eu sofro um pouco mais.

Um dia eu achei que eu ia ser uma grande jornalista – daquelas que cobrem as guerras, que escrevem sua própria coluna em revistas importantes, que aparecem na TV em debates sobre temas polêmicos. Isso não aconteceu. Eu achei também que eu poderia ser uma grande produtora musical – que petulância a minha... Não entendo nada de música – nada para ser uma produtora.
Achei tantas coisas da minha vida. Que eu ia ser sempre a melhor em tudo. Que eu ia ganhar muito dinheiro. Que eu ia morar fora do país. Que eu ia ter meu carro aos dezoito anos.
Achei que ia morar com minhas amigas no Leblon. Que íamos ser profissionais da música de bandas importantes. Achei que a minha produtora fosse a idéia mais promissora daqui.
Passou pela minha cabeça também que eu ia ser a maior professora de inglês de todos os tempos. Que eu poderia, em minha humilde condição, dar aulas de Literaturas da Língua Inglesa em alguma universidade. Quem sabe até mesmo fora do país. Ao passo que também achei que ia morar num lugar bem frio e aconchegante, onde eu pudesse usar um casaco e um par de botas de couro e ainda um gorro.
Achei que eu ia ver as folhas caírem coloridas das árvores no outono de Nova Iorque. Achei que eu ia andar no Central Park de mãos dadas com alguém. Ou talvez que eu fosse morar no país da folha de Mapple, seguindo alguma banda famosa que pudesse fazer sucesso por lá.
Achei que eu fosse alguém importante na vida de alguém, e que eu pudesse fazer a diferença. Que talvez eu fosse a pessoa mais importante que a outra pessoa já conheceu – que presunção! Que eu fosse sincera, amiga, companheira e acima de tudo essencial.
Achei que eu fosse responsável – tanto pelos meus atos, quanto pela minha vida. Nem vou dizer o que eu descobri com relação a isso. E achei que tal responsabilidade fosse contagiante.
Achei que eu nunca pudesse ser louca, ou um tanto quanto “desvairada”. Que nunca gritaria, choraria ou puxaria meus cabelos. Achei que fosse apenas uma pessoa ordinária (não em sentido pejorativo) e sem diferencial.
Sempre achei que tinha amigos que estariam ao meu lado. E que nunca iríamos nos separar. Sempre achei que a amizade fosse algo essencial.
Achei que era romântica e real. Acabei descobrindo que também era contraditória, pois achava que era maravilhoso sonhar.
Achei que ia crescer e me tornar uma mulher feliz – (não cresci muito, diga-se de passagem). Que ia chamar atenção, não por atributos físicos, mas pela minha personalidade, que eu julgava ser diferente.
Achei que eu deveria acreditar muito nas pessoas. Que elas me fariam bem. Ledo engano. Assim como eu achei que a minha família era a mais feliz do mundo e que eu era abençoada por isso. Outro engano.
Achei que eu era otimista e equilibrada. A vida não te deixa ser otimista. Ela quebra as tuas pernas e te deixa desacreditada de muitas coisas.
Eu achei que eu podia consertar o mundo. Não, eu não posso. Algumas coisas são fortes demais para você lutar contra elas. Eu me rendi.
Eu achei que nunca fosse me tornar uma pessoa amargurada e quando era criança eu não entendia porque algumas pessoas simplesmente não conseguiam ser felizes ou simplesmente dar um sorriso de alguma brincadeira. Eu descobri que era exatamente porque eu era criança. Era bonito ser criança – os adultos têm preocupações demais. Eu odeio ser adulta.
Eu achei que fosse madura. Dá até vontade de rir.
Eu achei que eu fosse forte. Que ia ter força de vontade. Que ia “let go”. Que as coisas passariam por mim sei efeitos maiores. To morrendo por dentro sem forças.
O maior de todos os meus achados foi achar que eu tinha encontrado o amor da minha vida. Achar que eu ia casar e ser muito feliz. Quem consegue ser feliz? Eu achei que era privilegiada e que tinha o que poucos têm: o amor. Parece que ele mesmo não quer nada comigo. Ele mente e brinca comigo como se eu fosse uma boneca, só para achar que eu sou feliz e que eu mereço tudo isso. Eu queria tanto esse amor. Eu achei que ele era meu e que nada ia tirar ele de mim.Mas tudo isso eu só achei...

6 comentários:

pepsi888888 disse...

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Supernova disse...

posted by Karla...

esqci de dizer!

Supernova disse...

A vida ainda não acabou, little girl. Ainda dá tempo de vc riscar muitos desses itens aí. Se depender de mim e da nossa outra irmã, a gente consegue mais da metade disso daí. Algumas perdas são necessárias... põe isso na cabeça.

Luv u forever

Renata Paula disse...

Até o 'achar' as vezes é bom...
Conseguir em melhor..
pra isso.. necessita de esforço... perseverança..
é muito nobre reconhecer que está errado.. mesmo se for bem baixinho no canto da sala..
nao quero dá um discurso de 'vc consegue.. bola pra frente' isso só vai depender de vc.. e nada que eu fale ou que qualquer um fale vai fazer alguma diferença.
O amor é abstrato
As pessoas são concretas.
pode parecer ridícula essa minha analise.. mas se partirmos desse principio talvez nao nos machucaremos tanto.
Se fosse facil nao seria tão bom.
Você é guerreira.. forte.. e uma florzinha!
nao deixe isso se perder..
seu coraçãozinho eh maior que a minha fome.. nao deixe ele diminuir.

te amo muito florzinha (F)

beijo!

Dark Keeper disse...

Sempre sonhamos com o melhor para nós, nada mais natural...
E eu considero voce uma pessoa privilegiada por sonhar alto e ter seus objetivos, convicções...
Também tenho os meus, e não são lá tão modestos, também gostaria de saber o segredo para alcançar aquilo que almejamos, talvez o primeiro passo seja focar aquilo- que de fato- mais desejamos e seguir um passo por vez :)

Anônimo disse...

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Dont forget!