quarta-feira, janeiro 10, 2007

10 de janeiro

Hoje é 10 de janeiro. Já não olho mais tanto pro calendário, por isso os dias vão de par em par. O natal já passou, o ano novo passou... eu estive em meio a muitos. Muitos me abraçaram, muitos me disseram palavras bonitas, muitos me elogiaram...
Alguns, no entanto, largaram minha mão, me fizeram sentir mais sozinha do que quando estou somente na companhia de papel e caneta. Uma caminhada pequena, simples, nunca pareceu tão longa. Dias de domingo chuvoso, almoços ruins, trajetos vazios, com o único objetivo de fugir da prisão da minha mente.
Preciso me concentrar seriamente nas cordas de guitarra de alguma música, devanear ou gastar 100% da minha atenção no monitor à minha frente, no trabalho, para que os comentários paralelos não me enlouqueçam. É como estar no campo de concentração e ter que ouvir sobre Hitler todos os dias, como se ele estivesse ali do teu lado, te perseguindo. Te assombrando. Você pode não vê-lo, mas sabe onde ele está, o que está fazendo. E aí só o banheiro mesmo que serve como escape... aliás, será que o povo do campo de concentração usava banheiro, ou deixavam eles fazerem suas necessidades fisiológicas ali em meio à todo mundo?
Eu tapo os ouvidos com o maldito presente que ganhei, que ainda hoje, mais me parece um souvenir do que algo meu... a going away gift...
Eu saio do trabalho e tento arranjar caminhos alternativos que não me lembrem essa cidade, esse lugar em que vivo, onde as pessoas não vêem meu nome sozinho, onde existe um maldito fantasma do meu lado que todos enxergam. Desse jeito, me parece mais negócio procurar um exorcista.
Na minha Terra do Nunca não existem sorrisos, borboletas, caracóis... existe a voz do Coverdale, que parece me abraçar sempre que preciso. Existem espelhos enormes em que eu me olho e penso: “Tá bonita, filha. Cabelo está do jeito que você gosta, não está gorda, não está com a pele feia. Tens roupas legais e que servem perfeitamente em você”. E depois chorar...
Hoje é 10 de janeiro, mãe. Você nunca pensou que pudesse estar errada, não? Nem eu. Todas as suas profecias viraram realidade, mas a cada dia que eu via a folha do calendário ser arrancada, incuti na minha cabeça de que poderias ter falhado dessa vez. Hoje é 10 de janeiro, o sorteio da mega sena, dia de fechamento da minha editoria, dia de olhar para aqueles números, dia de Telejornalismo na faculdade e o dia em que você perdeu a aposta.
Só me resta acompanhar nossos 500 bilhetes de loteria e ver se dessa vez, só desta, tiramos a sorte grande.

posted by: Loy*
ouvindo: Fool for your loving, no more!

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