quinta-feira, dezembro 27, 2007

Adeus

"Seems like forever that my eyes have been denied
Home, I'm finally home"

É engraçado como o ser humano consegue se dar certas novas chances na vida mesmo após ter experimentado todo o tipo de sofrimento e eu digo isso em qualquer situação. O fato de isso acontecer com tanta freqüência prova o quão bonito e ingênuo ele pode ser. Bonito porque permite arriscar noites sem dormir por estar tão cheio de dor... Justamente porque se permite ficar noites sem dormir morrendo de felicidade. Daí passar por todo esse ciclo repetidas vezes o faz ingênuo.
Ainda dá todo um frescor conhecer o novo, domesticar o diferente do que estamos acostumados. À primeira vista analisamos o mundo de outras pessoas com um olhar crítico impiedoso, filtrando o que nos agrada e fazendo caretas para os defeitos com os quais nunca conseguiremos (ou assim pensamos) conviver. Se ultrapassarmos desse ponto com sucesso, o que vem depois é lucro.
Acredito que o tempo muda tudo. Pode até ser aliado a diversos fatores, mas sem dúvidas, o grande mestre é o tempo. É com o tempo que esquecemos as dores (aquelas tão doídas que na hora não conseguimos acreditar na possibilidade de cura), os amores, as tristezas, felicidades, lembranças, raivas. Tempo é mudança; e também com ele um contrato tácito vai se estabelecendo com os defeitos para os quais um dia torcemos o nariz. O tempo, e é claro, age sem o nosso consentimento.
Então tudo passa a fazer sentido. A toalha molhada jogada em cima da cama; os gostos estranhos como não apreciar vinho, queijo, camarão, mariscos, peixes, salsicha – gostos quase universais, assim arrisco dizer – viver de música e só cantar (fora do palco) debaixo do chuveiro; se emocionar ao assistir Transformers; a calmaria exagerada; comer seis pães no café da manhã; viver num mundo tão cretino e ainda achar o álcool, o cigarro e o palavrão as piores drogas da atualidade. Tudo. Tudo que um dia variou entre o engraçadinho e o ridículo passa a ser aceito como um charme único e especial da pessoa. Graças a quem? Graças ao tempo.
Os gostos estranhos se tornam familiares, tanto, que viver sem eles é que vira estranho. Mas o tempo não se dá tempo; dizem que o tempo passa rápido. Na verdade o tempo não passa; você passa e o tempo fica. Quando tudo parece harmônico, num estalar de dedos, a história vira de ponta a cabeça. Porque antes da comodidade chegar e criar raízes, você se vê parado enquanto as cores do movimento se misturam, deixando tudo muito confuso.
Nesses momentos o coração avisa que é hora de parar. A dor vem, mais uma vez, nos deixando sem ar para enfrentar os próximos dez passos. Você sente falta da toalha molhada jogada em cima da cama. Daí partir torna-se essencial...

"Por mais que tenhamos consciência do que, de quem nos cerca, os fatos, detalhes ínfimos e tão importantes, pessoas, lugares, cheiros, músicas - só se tornam especiais ao virarem história; a velha mania tão humana de valorizar apenas o perdido. Ou o vivido.
Partir é a coragem de abandonar o mapeado e rumar para o icógnito, sem trilha marcada ou estrada pavimentada. É curtir o nó no estômago diante do novo, essa paisagem tão bela e pouco apreciada.
Viva cada história até o último detalhe, tome até a última gota de todos seus momentos porque não há nada mais reles que abandonar a vida por covardia, esconder-se dela atrás de falsos motivos. Não há nada mais deprimente que alguém que finge partir quando, na verdade, está fugindo. Furtar-se a viver plenamente com toda a dor, alegria, tristeza, desamores e paixões é o mesmo que não ter nascido.
Mas vá, se sentir que precisa ir. Vá, se o que o move é impossível de domar. Não deixe o medo paralisa-lo. Ignore os que não entendem, criticam, alertam, amedrontam, porque esses, enquanto você segue o seu faro, escrutina o desconhecido, permanecerão no mesmíssimo lugar.
Criarão musgo; não sairão do decadente quarteirão da resignação – isso sim é deprimente.
Por isso tudo, estou indo." (Ailin Aleixo)

Adeus.

quarta-feira, dezembro 12, 2007

Ligo ou não ligo?

Hoje à tarde, não pude parar de pensar na história do “primeiro passo”, que a Glória Kalil descreve de forma tão mesopotâmica (na minha opinião) em seu novo livro “Alô, Chics!”, que chegou há pouco tempo aqui no jornal. Analisei:
Uma pessoa pode, indiscutivelmente, demonstrar seu interesse por outra de forma sutil ou mesmo incisiva. Fazer crescer o sentimento pretendido em outrem é um desafio que nos move, pois uma vez humanos, estamos acostumados a nos sentir atraídos pelas coisas mais difíceis.
Também é bem verdade dá pra se conquistar uma pessoa, trazê-la para o seu mundo, fazer crescer nela a vontade de estar ao seu lado mesmo que antes não houvesse nenhum indicativo de afeto. É possível reverter o jogo, certo?
E se isso tudo são situações totalmente concebíveis, por que até os dias de hoje a mulher que toma iniciativa em relacionamentos é vista como saidinha? Em namoros, casamentos, casos... a pessoa que foi conquistada sempre é a mais forte? Ela se cobre de importância, se coloca num pedestal por acreditar que é o prêmio desse jogo? Teríamos que nos conformar em olhar de longe alguém que gostaríamos de trazer para nossos mundos, sabendo que se ao menos tentássemos poderíamos ser muito bem-sucedidas, por temer o estigma de exacerbadas? Ou melhor... nos relacionamentos, quem conquista, dá o melhor de si, corre, vai atrás... até pega uns “nãos”, fica sem dormir, sem comer, gasta dinheiro com coisas diversas para poder atingir seu objetivo... Isso, normalmente, indicaria uma pessoa forte e determinada, certo?
Errado. Porque parece que em relações inter-pessoais, a parte que conquista, é sempre a mais fraca. Sempre à espreita, sempre suscetível aos caprichos do seu pretendido porque afinal de contas, esse sim, esse é o que dá as cartas. Nada que vá contra os caprichos do conquistado pode ser idealizado.
Então, que diabos de mundo "contemporâneo" é esse que reprime nossas vontades desse jeito? Se ser antiquado é esperar que ele ligue, ligar pra ele, segundo a Glória Kalil, é um pecado moderno que não deve ser cometido. Continuamos na estaca zero.
Concordo que existem certas situações nas quais nós mulheres não devemos ligar. Vou lhes dizer: quando não há interesse! Acho que eu não sou chic mesmo então...

terça-feira, dezembro 04, 2007

It's christmas!


“I hear sleigh bells ringing,
Smack in the middle of may
I go around, like there’s snow around
I feel so good, it’s Christmas everyday!”

Dezembro. O início do mês já indica natal. Nem sequer esperaram puxarmos a 12ª folhinha do calendário para nos lembrar disso. O natal está por aí há muito tempo...
Naquela decoração pesadíssima que contempla agora todos os shoppings do País, ao lado dos pisca-piscas cegantes (ainda bem que esse ano, não estão em forma de mico leão, papai noel com cara de mau e índios – quem mora aqui sabe do que eu falo), nas árvores, na neve que nunca veremos em Manaus... vendo por esse ângulo parece algo bem cafona, mas totalmente indispensável para o momento. Ou assim se acredita.
O objetivo principal da festa é, além de aumentar as vendas, incutir de qualquer forma no ser humano o sentimento de doação, solidariedade, fraternidade, caridade... com tanto “ade”, por que não, ingenuidade? Na real, não sei se essa campanha anual dá muito certo na prática. Porque em mim pelo menos, esses sentimentos pretendidos sequer dão as caras. Não, não estou posando de “superior a valores mundanos advindos do clima natalino”. É que eles simplesmente são encobertos por algo mais forte que eu nunca tentei colocar em palavras da forma correta porque são difíceis de entender (quanto mais de explicar). E olhe que já escrevi sobre natal em outros “carnavais”, literalmente, uma vez que deve estar perdido nalgum mês de fevereiro uma crônica sobre isso. Eu é que não vou procurar agora.
O que acontece dentro de mim é uma amálgama de emoções, um misto de tristeza, euforia, expectativas. Eu fico reflexiva, taciturna, ensimesmada, meditabunda, absorta, sorumbática e todos os sinônimos afins. Eu sempre passeio pelos ditos shoppings como quem ta olhando algo inédito, porque mesmo sendo cafona, pesadíssima e nada inovadora, a decoração de natal mexe muito comigo. É como se qualquer lugar ficasse mais iluminado. Me dá vontade de tomar capuccino na Kopenhagen. Dá vontade de sair carregando sacolas. Dá vontade de andar de mãos dadas, de fazer confissões engavetadas. Cuidado. Cautela. Nem sempre isso é uma boa idéia. Mas é como beber algumas doses a mais e deixar o celular por perto: não dá pra controlar, eu sempre acabo falando algo que só praticava na minha mente.
Por isso mesmo eu tenho evitado passear pelos ditos shoppings da vida. Além de ser consumista compulsiva (minha personalidade nº 2 emergente só quando estou em terra brasileira diversa), a maldita decoração me entristece. Por que, senhor do céu, por quê?
Andei cerca de 1h15 da rua Visconde da Luz, na Vila Olímpia, até a Faria Lima. Ventava muito e como já era ao cair da tarde, começava a esfriar também. Não cheguei a perguntar de ninguém onde era o lugar que eu pretendia ir. Simplesmente fui, seguindo meus instintos (e graças também a um senso de direção). Ao chegar à porta do Iguatemi, ali vejo a Tiffany & Co. Claro que o Frank Sinatra não cantou essa hora porque não se tratava de um filme, mas que eu senti um tico de “Breakfast at Tiffany’s”, eu senti. Aqueles anéis de noivado lindíssimos, os colares, as pulseiras... destoados pela cara de mau do segurança da porta. Resolvi admirar tudo do lado de fora mesmo.
Comecei a andar pelo shopping que ostentava os enfeites mais lindos de natal que eu já tinha visto. Algo parecido só consigo me recordar do Rio Sul em 2002. Eu já tinha rondado todas as lojas do Iguatemi tantas vezes que não tinha mais nada de novo para ver. Então procurei um banquinho e sentei para descansar os pés depois da longa caminhada. Todos os casais de mãos dadas, sorrindo, carregando sacolas – como sempre acontece. Mais uma vez eu estava só. O que diferenciava essa situação da que eu descrevi em 2005 aqui no blog, é que não se tratava de um dia qualquer.
Era meu aniversário. Era meu aniversário e eu me sentia uma idiota desde o dia anterior. Havia brigado com a minha mãe, lá do outro lado do País tinha um cara querendo me processar por uma matéria que eu tinha feito, meus amigos estavam igualmente longe, meu celular não estava pegando (então não tinha como receber ligações de parabéns), eu havia falado demais e pensado de menos. Agora eu estava ali sozinha, sentada no banco do Iguatemi ao som de jingle-bells. Estava marcado pra ser o aniversário mais solitário da minha vida.
Eu estava com tanta raiva do meu celular que queria atirá-lo longe. Já tinha perdido as esperanças de conseguir sorrir verdadeiramente mesmo na eminência de ver um dos meus maiores ídolos em poucas horas (o Steve Vai iria subir ao palco do Bourbon Street às 22h e meu ingresso de R$250 brilhava). Tinha tanta gente transitando pelo shopping que eu fiquei com preguiça de me juntar à multidão. Ah, o que eu tinha a perder? Pelo menos eu iria passar meu aniversário olhando vitrines de coisas que eu não poderia comprar, olhando os coloridos sabores de Häggen-Dazs... me deu uma vontade louca de entrar na “casa do Papai Noel” que estava montada ali perto. Seria ridículo demais. Mas no mínimo divertido. Só não pra se fazer sozinho, né?
Levantei... fui descendo a rampa até o térreo, onde estava a tal da “casa do Papai Noel”. Antes de chegar até lá, eu vejo ali no pé da rampa... (estou tentando reproduzir a cara que eu fiz nessa hora, infelizmente, ela não pode ser transcrita em palavras). Tudo bem, pra onde foram os pisca-pisca cegantes? Nem os via mais. Eles perderam o brilho do lado dele. Eu só queria sair correndo para trazê-lo junto a mim. Eu deveria ter falado, brigado, reclamado, dito “hoje é meu aniversário e eu odeio o fato de ficar sozinha em meio a essa decoração linda de natal, enquanto todo mundo ta feliz e acompanhado e eu não!”. Quem disse que eu consegui? A felicidade era maior. Eu só pensava, naquele momento, em aproveitar ao máximo o meu presente. Ainda não era dezembro, vale dizer (meu aniversário é no início de novembro). I mean, christmas came earlier this year. Eu não ficaria mais sozinha. Eu poderia ir à casa do Papai Noel tirar fotos idiotas, tomar Häggen Dazs! Poderia até olhar as vitrines, mas dessa vez tirando onda com os preços caríssimos de coisas que (agora) não me interessavam mais. Quem se importa? Somado à mais medíocre e hipócrita idéia de que a felicidade vem com essa época do ano, tão exageradamente ovacionada, se unia àquilo tudo mais um casal sorridente de mãos dadas. Clichê. E eu não me recordo de ter ficado tão feliz em outros “carnavais”.
Entende agora por que os sentimentos de “ade” ficam “adiados”? Porque eu me rendo à possibilidade de uma alegria volúvel, datada, perecível, mas que enche o espírito quando se materializa em forma de sorriso. Tudo bem, eu me rendo a pelo menos um sentimento de ade: SAUDADE!

“I send this smile over to you...”

quinta-feira, novembro 29, 2007

November(rain)

"I'll always remember
The chill of November
The news of the fall
The sounds in the hall
The clock on the wall ticking away
'Seize the Day'
I heard him say
Life will not always be this way
Look around
Hear the sounds
Cherish your life while you're still around"

Ah, eu gosto tanto de novembro... pena que tá acabando. Deve ser por isso que eu postei tantas vezes nesse mês.

terça-feira, novembro 27, 2007

Mãe, não quero ser boazinha...


por Loyana Camelo
ESPECIAL PARA A CRÍTICA

Minha mãe definitivamente se encaixa no grupo de mulheres contemporâneas bem-resolvidas. Ao contrário das mães antiquadas, cujos costumeiros ensinamentos incluem “case-se por amor”, “dinheiro não traz felicidade”, “seja dócil”; nada disso fez parte da educação que ela deu à sua filha. Se tivesse sido escrito nos idos anos 80 (época em que nasci), o ótimo “Mulheres Boazinhas Não Enriquecem“ teria sido seu manual de instruções. Como o livro só foi lançado recentemente, coube a ela presentear-me com o mesmo.
O que seria, então, uma mulher boazinha? Em sua conotação literal, bondade é uma qualidade que muitos consideram ser intrínseca do sexo feminino. Mas não é essa bondade (no sentido mais próximo da caridade) abordada na obra. Falo aqui do sentido mais pejorativo do termo, daquele que classifica pessoas que não se importam fazer sacrifícios para ter a imagem de dócil.
De acordo com a autora toda-poderosa Louis P. Frankel, é justamente aí que está o erro.
Diferente daqueles livros cansativos de auto-ajuda, “Mulheres Boazinhas não Enriquecem” combina raciocínio financeiro com planejamento. Objetiva, antes de tudo, adentrar na cabeça dessas mulheres boazinhas e fazer elas entenderem de uma vez por todas que: não, os homens não são os únicos que entendem de dinheiro; não, não é ruim ser ambiciosa; sim, casar com um homem rico é uma ótima idéia. Entende? É preciso fugir desse tipo de ensinamento, comum entre as mães mais tradicionais (coisa que a minha, ainda bem, não é).
“Dinheiro é poder, e a maioria das meninas não é ensinada a ser poderosa – a maioria é ensinada a ser boa”, diz a autora em um dos trechos da obra. Pode espernear dizendo que não é boa... mas você só vai descobrir isso na íntegra depois de fazer o teste encontrado no primeiro capítulo. A “auto-avaliação - por que mulheres boazinhas não enriquecem” é uma forma de desvendar traços da personalidade feminina que muitas escondem.
Depois de responder a 42 perguntas (seja honesta, garota!), verifique porque você não é rica.
Ao longo de “Mulheres Boazinhas (...)”, são apontados 75 erros fatais que comprometem a situação financeira confortável. Para remediá-los, são dadas dicas perfeitamente aplicáveis ao dia-a-dia (nada de utopia). Tudo muito bem amarrado a uma linguagem fácil e exemplos divertidos.
Vale lembrar que as mulheres ricas não precisam ser, necessariamente, maldosas ou frias. O ensinamento mais valioso dado por Lois P. Frankel, dona Marly Camelo já havia dado há tempos para mim: dependa única e exclusivamente de você mesma. Ser ambiciosa não é algo ruim; quer dizer que você tem objetivos bem traçados na vida e não hesita em correr atrás para realizá-los. Garotas boazinhas se preocupam em manchar os vestidos ao longo da caminhada ao sucesso; as ambiciosas, deitam e rolam se assim for necessário.
Eu não quero ser boazinha!

(matéria divulgada no Jornal A Crítica dia 31 de julho de 2007)

segunda-feira, novembro 26, 2007

Just water...

"Tide up, your realm.
So dive...

Tired and awake
So dive... and cry over
Well, that ain’t all around you...

Come away, I’m not afraid.
Alive, afraid of all the way,
Long run,
I lay alone,
I pay alone my try.

A glide around here,
Where there are no tears
Can it unbar doors?
Rider on the field...

Cause winter,
Familiar matter, for the dirty lives
On a real and dark reverse, rim comes again"

...

É hoje... eu gostaria de estar lá agora. Damn it. Tudo bem, na verdade, eu devo estar...

domingo, novembro 25, 2007

Let your heart flow

"Bad moon white again
Bad moon white again
As she falls around me".

...

Uma das coisas que mais me revolta é que, dessa grande janela que fica cerrada à frente da minha mesa do trabalho, não se projeta a lua. É claro que ela fica escondida por trás dessas persianas imundas. E eu nem posso abri-las. O pessoal acha que distrai.
Essa semana foi peculiar. Segunda trabalho, terça (feriado) trabalho e mensagens que me deixam rindo à toa, quarta trabalho, quinta trabalho e muita comida e bebida "cedida" pelos assessores que nos amam, sexta trabalho e não saí, sábado trabalho e não saí e domingo estou aqui no trabalho.
Se o David Helfgott ficou doido tentando tocar o Concert Nº 3 do Rachmaninoff, pode ser que eu esteja no mesmo caminho. Porque mesmo quando não era obrigado pelos professores, ele ficou tão aficcionado, que de noite, de tarde, de madrugada, ele só queria tocar Rachmaninoff.
E com uma rotina de trabalho dessas, eu ainda chego em casa, e quero escrever o resto da vida.
Esse texto não vai ser conceitual, se você ainda tá procurando um tema em comum nos três primeiros parágrafos aí em cima. Não importa. Hoje, parafraseando a frase que tem no topo da página, I'm just letting my heart flow.
Engraçado como o passado deu as caras essa semana também, tornando-a ainda mais nostálgica. Em partes isso é bom, em partes ruim. Tem vezes que tudo que eu mais quero é engavetar tudo que veio antes desse ano. Com exceção de algumas pessoas indispensáveis, acho que não há mais nada que me segure por aqui. Até as pessoas indispensáveis, meus caros, terão de ser deixadas para trás nesta temporada que há de vir.
O que eu preciso mesmo é conversar com alguém. Não qualquer pessoa. Eu queria que o interurbano aqui do trabalho ainda fosse de graça pr´eu poder conversar tudo que me aflige por essa época do ano. Porque só certas pessoas conseguem me deixar tão melhor. Nesse time só havia eu, o André e minha mãe. Agora ele ganhou um novo integrante. Isso me deixa muito, muito feliz...
Eu gosto de natal e ano novo. O problema são os flashbacks que eles me trazem, e sinceramente, the hell with them. Eu não quero flashbacks que não estejam contextualizados no ano de 2007.
Ainda bem que hoje é domingo... meus domingos costumavam a ser cretinos, mas hoje eles são uma promessa de sorrisos o resto da semana.

"Os dias que eu me vejo só são dias que eu me encontro mais..."
Salve os remelentos do rock, salve a família Camelo.

Meu Deus, será que eu virei emo de vez?

segunda-feira, novembro 19, 2007

Vale a pena ver de novo?


Cúmulo do romantismo barato: voltar pra casa cedo em véspera de feriado, parar na locadora, comprar um pote de sorvete e alugar um filme velho (mas tudo bem, eu amo filmes velhos) como "A Place In The Sun" e chorar junto com a Elizabeth Taylor quando ela fala:

Angela: Goodbye, George.
[anda um pouco e olha pra trás...]
Angela: Seems like we always spend the best part of our time just saying goodbye.

ou então

Angela: Every time you leave me for a minute, it's like goodbye. I like to believe it means you can't live without me.


...

Daí ficar propositalmente pensativa ao me dar conta o quanto essas cenas se repetem na novela da minha vida, que mais parece um "Vale a pena ver de novo"...

domingo, novembro 11, 2007

Moonriver


Eu volto carregando algo que não sei o que é, talvez não seja nada e na verdade essa é a maior probabilidade. Eu volto carregando nada. Eu volto carregando o vazio.
Eu volto para ver os cenários de um show que já deveria ter encerrado há tempos. Cidade que parece ter encolhido... horas que se esticam.
Voltei para casa ouvindo Moonriver, na voz do Frank Sinatra. Era uma daqueles after-hours com o pessoal do trabalho que geralmente ocorrem às sextas, quando nosso pensamento está adiantado dois dias (sábado e domingo) e só mesmo uma cerveja gelada pra voltar a mente para o momento atual (mode workaholic: off).
Pois é, na maioria das vezes, após alguns copos, os pensamentos acabam por se confundir. São muitas risadas, papos intelectuais, besteiras, planos, lembranças... chega um, chega outro, a mesa fica pequena, traz mais cadeiras, traz mais uns copos, conta aquela história, ‘alguém quer ir ao banheiro?’, o que vamos fazer amanhã, etc...
Era um daqueles barzinhos ao ar livre. A lua se exibia orgulhosa, estava grande, gorda, branca... de vez em quando, em meio àquela maçonaria particular, eu me distraía só de pensar que aquela mesma lua estava se exibindo em outras partes do País onde eu desejaria estar mais no que em qualquer outro lugar do mundo, muito mais do que naquela mesa de bar rodeada de amigos bem-humorados.
Não sei se isso é egoísmo. Não encarei desse jeito. Uma vez, conversando com uma ex-colega de faculdade (não que ela tenha deixado de ser colega, eu que me enchi do curso de direito e tranquei) a respeito de findos namoros, ela solta algo que vira e mexe eu me lembro. Quando você sente falta de alguém, seja lá qual for a situação – o que inclui festa de aniversários de 80 anos, batizados, missas, arraial, show, trabalho, mesa de bar – é porque ainda dá pé. É porque ainda vale a pena dormir e acordar com a idéia fixa de trazer aquela pessoa para o mais perto impossível.
De todas as coisas fúteis do mundo – e não são poucas – creio que ficar com um alguém qualquer esteja no topo dessa lista. Mas eu ainda me surpreendo quando encontro uma alma compatível. E ao ouvir Moonriver, lembrei das vezes em que estive trabalhando, estudando, chorando ou sorrindo; momentos tão volúveis da vida; e quis mais do que tudo dividir apenas o momento de olhar a lua.
Será que já não deixei claro o bastante que essa saudade é imperecível?

"We're after the same rainbow's end
Waiting 'round the bend
My huckleberry friend
Moonriver and me"

posted by: Loy*

quarta-feira, outubro 24, 2007

Every little thing he does, is magic

O que eu mais gosto é dessa simplicidade. Sorrisos sinceros. Não tem vergonha de andar de mãos dadas, elogia, abraça e beija em qualquer lugar... transmite uma tranqüilidade boa, uma sensação de “estou em casa”.

Ouve o que eu falo. E eu falo muito, sobre tudo. Ao me observar enquanto explico teorias, causos, experiências, opiniões, tudo articulando gestos, mãos, fazendo caras e bocas; simplesmente segura minha mão, fixa em meus olhos e fica calado. Como se estivesse deixando aquele mundo entrar aos poucos, e por sinal, adorasse isso.

Anda devagarzinho, sem pressa, pela maior avenida do País, onde tudo acontece a mais de mil por hora... O que importa ali, não são as bolsas de valores, os bancos milionários, os rostos apressados que passam a todo segundo, o frio cortante que queima a pele. O que importa é estar abraçado, contando os mesmos causos, experiências, opiniões e teorias; com a ressalva de que fala manso, explicado, vez por outra soltando um sorriso mais lindo que o outro.

O que faz eu me encantar são as pequenas coisas. Mesmo sabendo que não chego perto de uma figura real, trata-me como uma. Com direito a beijinhos na mão. Quando eu machuco meu pé, não admite de jeito nenhum que eu fique sentindo dor: me carrega nas costas. Aliás, qualquer desconforto causado à minha pessoa, seja dor, frio, fome... encara como se fosse um problema sério a ser resolvido. Não mede esforços para arrancar um sorriso.

Da madrugada fria, só restaram as poucas gotas de chuva que batiam no vidro. O que perdurou ali, na verdade, ultrapassou o tempo. Ele fala convicto de planos a serem feitos. Fala de saudade como se fosse o menor dos empecilhos mergulhados dentro dos sentimentos que borbulham dentro de si. Sabe, dentro de si, que os universos se encaixam, se completam, se somam. Por isso, a espera é apenas uma fase...

Cada ida machuca. Porque em pouco tempo, o espaço entre estes universos cresce, cresce e aumenta de tal forma que torna impraticável qualquer ato de carinho físico. Mas em um plano metafísico, ele continua...

posted by: Loy*

The sun and moon rise in his eyes...

sexta-feira, setembro 14, 2007

My time is ticking by...

Não venha me dizer que é fácil, porque não é. Eu sei bem. Eu sei bem o que é estar trabalhando, ter uma página enorme pra escrever e simplesmente ter as idéias travadas de uma hora pra outra. Tá... isso aí, realmente, não é difícil. Basta pensar que, ao lado do pouco tempo que eu tenho para terminar a matéria, igualmente em pouco tempo terei de pegar o telefone para enfrentar meus medos. Essa é uma forma educada de dizer que ficarei correndo de um lado pra outro, irriquieta, com o rosto vermelho sob olhares inquisidores de gente que não entende. Não entende nada. Não entende metade. E também não sabe perguntar, porque quando vem me questionar "qual é o problema", já pensa que é besteira. Devia ser. Mas não é.
Cada pessoa tem uma estratégia organizada para agir em certas situações. Eu sou boa em lecionar o melhor plano para cada objetivo, seja lá qual for esse, porém o momento de aplicá-los em minha realidade é muito volátil. Eu esqueço de tudo. Me dá vontade de sair correndo porque caralho, mesmo tendo plena noção de que certas coisas não acontecer porque não me fariam bem, eu continuo insistindo no que eu acredito. Até que ponto isso é saudável?
Daí eu olho pro telefone. Ele me encara como um aparelho medieval de tortura. Pego, largo na mesma hora. Sentei na cadeira da minha chefe pra ver se me dava mais coragem, talvez um certo ar de liderança, mas não adiantou nada. Larguei de novo. A Suelen e a Marina me olharam como olham todos os inquisidores-não-entendedores-de-nada-que-se-passa-aqui-dentro.
Já acabei há tempos a enorme página que eu tinha pra escrever. Heroicamente! Demorei mas consegui. Era um assunto complexo, fora da minha alçada, no entanto o que há de ser feito e com prazo para ser feito, não permite escapadas. Também não me pergunte se eu terminei rápido porque estava nervosa, ou se o tempo simplesmente passa mais rápido quando queremos que ele se estique. Acho que o Cazuza explica isso melhor do que eu.

"E o tempo passa arrastado... só pra ficar do teu lado".

Nem jantei e a fome passa longe da redação do jornal. Estou com uma música maldita na cabeça. "Until the end of time you'll never be alone...". Porra, por que diabos ele não canta isso pra mim? É justamente por conta dessas incertezas, dessas fraquezas, dessas messagens invisíveis por todos os cantos, que eu fico nessa agonia interminável. Um dia desses estava a me perguntar se as tão aclamadas mensagens invisíveis existem mesmo pra me alertar ou se sou eu que ando prestando muita atenção aos mínimos detalhes.
Either way, de duas uma: ou eu pego logo a merda desse telefone e ligo ou pago para ver, literalmente, se isso vai dar em algum lugar (etéreo).

Tá bom, eu ligo.
posted by: Loy*

terça-feira, agosto 28, 2007

Amanhã, ou depois...

Ela acorda num pulo. O colchão em que dormem ainda é reflexo da mudança recente, apressada, mas muito desejada pelos dois. Dos poucos móveis daquele apartamento, a cama não está entre os que fazem irresistível falta. Ainda que visto por muitos como de segundas, terceiras, quartas necessidades... o piano sim, para ela, era fundamental. Representava uma lembrança vívida da casa da mãe.

Deixando os lençóis e o lindo moço que amava dormindo, ela corre para sentar ao piano. Ainda bem que não só este ficou de herança. Contava com uma bela voz, belo sorriso, belos olhos... E para elogiá-la, o lindo moço que a amava.

Ao contemplar a vida nova que construía, tão jovem, sentia um arfar desconcertante que mesclava empolgação digna de menina brincando de gente grande, com o medo de acordar na incerteza. Sem sentir o cheiro do café vindo da cozinha de seus pais. Mulher, agora ela escolhe por onde andarão seus pés.

Vencendo as vicissitudes do cotidiano, pouco a pouco, ela resolve desterrar o sentimento de pusilanimidade. Seria injusto continuar assim. Sentada ao piano, ela olhava o lindo moço que amava ainda dormindo... amava-o como ele era, com cabelos grandes, curtos, raspados, bagunçados, arrumados. E o amaria o resto da vida, até o encontro conjunto em um plano metafísico, além matéria.

Percebia que seus antigos escritos raivosos, que se gabava de haver escrito ainda adolescente, se rendiam ao clichê de estar apaixonada. Quando eles brigavam, ela saía, sentava na varanda e fazia cara de emburrada. Ele viria, tocaria seu ombro, e levemente com um beijo na testa, desfazia qualquer raiva. Ela tentava resistir, geniosa como só seu signo poderia ser, mas daquele belo sorriso que amava saía uma gargalhada gostosa que era difícil de manter qualquer pose de irritada.

Amanhã, ou depois... ainda o amaria. Deixava de lado os escritos raivosos. Não, a metade da laranja parecia muito batido. Ela diria: você simplesmente tinha que aparecer. Não sei se na forma de laranja, tampa de panela, pingüim ou qualquer animal monogâmico: é você.

Muitos não traem por respeito à fidelidade, convenção da sociedade. Em contrapartida, não valorizam seus companheiros. Para ela, não precisava nem casar. Amava-o amanhã, depois... ainda o amaria o resto da vida. Traí-lo seria trair seu coração. Então, não sentiria falta de mãos, braços, beijos e abraços alheios...

Seria a filhinha da mamãe, geniosa, apaixonada pelo piano. Mas que havia encontrado um lindo moço que a amava. Era o bastante...

posted by: Loy*
"Oh yeah, we meet again. It's like we never left. Time in between was just a dream... Did we leave this place?"

terça-feira, agosto 14, 2007

Ofício de jornalista

Semana passada, ao conversar com uma pessoa que conheci, comentei a respeito de algo que recentemente se concretizou – mais uma vez. Tínhamos bastante em comum, mas acima de tudo, compartilhávamos algo que ao mesmo tempo nos realizava completamente; nos dava uma fama distorcida: o emprego no mundo da comunicação.
As pessoas têm uma visão glamourosa do jornalismo. Principalmente do jornalismo cultural. De fato, todos querem nos agradar. Por que não fariam isso? Sabem o quanto vale uma referência (boa) no jornal, vale dizer, não qualquer um: o jornal de maior circulação da região norte. Isso significa dizer que somente na capital baré (que beira os 2 milhões de habitantes), segundo recente pesquisa, cerca de 50 mil habitantes lêem diariamente o veículo de comunicação em que trabalha esta que vos fala.
Enfim, uma vez que as pessoas notam o poder da comunicação, não hesitam em tentar manipulá-la para seus interesses. Isso inclui pilhas de livros, infinitos CDs (de tudo quanto é ritmo), perfumes, roupas, brincos, sapatos, travesseiros (curioso, mas já ganhei), pen drives – tudo isso sempre chega “de presente” às nossas mãos, presentes dados por quem tem interesse em garantir uma boa imagem perante a sociedade. Isso sem contar os milhares de convites pra eventos (free pass é de praxe), shows variados, viagens e boas comidas que chegam lá pra gente provar.
Tudo bem, se esse é o glamour que as pessoas julgam existir, ele existe. Mas ele pára por aí. Esses presentes não se convertem em dinheiro no fim do mês; esses presentes não nos alegram quando temos que ficar dias de sexta (ou até domingo) até 23h na redação do jornal; esses presentes não pagam nossas contas; esses presentes são só presentes que no fim de tudo, são meras fantasias que servem para iludir os idiotas que se vêem deslumbrados pelo início da carreira.
O jabá é algo muito comum no jornalismo. “Te pago uma bela passagem pra São Paulo, te coloco num SPA com golfe e te dou um Audi TT pra dirigir contanto que você diga que minha empresa é foda e que os carros que fabrico são os melhores do mundo”. Não, meu bem. Comigo não tem essa. Teu carro é lindo, é com certeza! Mas se ele não chegou de 0 a 100 km/h durante o meu test drive, me desculpa, eu vou ter que salientar isso na minha matéria (que foi exatamente o que eu fiz). Sabe por que?
Porque nem de flores se vive. Nem tudo são elogios. E isso, dinheiro nenhum compra. A população pode até querer se enganar, pode até desejar com todas as forças que, ao abrir o jornal, se depare com melhoras na política, na saúde, na educação. Mas não é o que ocorre. Não é o que ocorre porque independentemente da editoria o objetivo de todo o jornalista concorre para um mesmo fim: FORMAR A OPINIÃO PÚBLICA. Queremos um bando de bitolados? Não, porra! Por isso mesmo que é preciso se ressaltar o que há de bom e de ruim SIM, para que todos possam trabalhar para melhorar sempre.
Não trabalho na editoria de cidades, mas já trabalhei. Já cobri manifestação, já sujei meu pé na lama de invasão, já fui no IML (Instituto Médico Legal), já tive que ligar pra uma mãe que havia acabado de ver o filho morrer... tudo em busca da informação.
Mas hoje isso não é algo que faz parte do meu trabalho. Hoje trabalho onde sempre quis: na editoria de cultura. Claro, pois ao contrário do que muitos leigos possam pensar, me dediquei ao máximo para me especializar em um ramo chamado música. E mais ainda em um ramo chamado rock/metal. Pelo simples fato de considerar a música uma forma de eternidade, algo sublime, sensacional, algo que me foge as palavras para rasgar elogios.
Eu vivo de música ontem, hoje, sempre. Quando fizer minha pós em jornalismo cultural na Universidade Metodista, em São Paulo, talvez eu tenha a alcunha – devidamente impressa em um diploma de pós-graduação – mais formal. De qualquer jeito, quatro anos sentada em uma cadeira rabiscada de uma faculdade federal ajudaram, sim, mas não foram vitais para me colocar no posto que conquistei. Senão imagina: repórter de economia teria de ser formado em economia e jornalismo; repórter de cidades teria de ser formado em direito e jornalismo; repórter de cultura teria de ser formado em música/teatro/dança e jornalismo.
O que eu quero dizer, em outras palavras, é que eu nasci pra fazer isso. Independente de ter passado quatro anos em uma faculdade (mas ainda bem que passei, assim sou devidamente reconhecida). Tenho uma facilidade absurda em captar o melhor (assim como criticar, se eu achar por bem) de cada banda, de cada cantor. As palavras fluem quando a gente faz o que gosta.
Desta forma, com ou sem jabá, com ou sem presentinhos, com ou sem elogios, eu continuo a exercer o ofício que amo com todo o prazer. Mas confesso que, é sempre gratificante chegar na redação após um fim de semana trabalhando e receber elogios da diretora do jornal e da editora.

“Parabéns, o GIRO ficou ótimo!”.

A opinião delas, sim, importa. Porque só elas podem me tirar dali. Enxurradas de lamentações vazias de gente que se dói e que preferia o jornalismo comprado pra poder ver somente elogios ligados ao seu nome NÃO ME INTERESSAM.
É, meu nominho ta lá, assinado... admito que sou uma pessoa pública, uma profissional reconhecida (Até mais do que eu sonhava! Bom saber que a ‘juventude’ de hoje em dia ainda lê o jornal) e assumo toda e qualquer responsabilidade pelos meus atos. Escrevi mesmo e preparem-se que hei de escrever ainda muito mais. Críticas, sim. Elogios talvez não. Só os merecidos.

Posted by: Loy*

terça-feira, julho 31, 2007

Drink life as it comes



Fazia eras que eu não escutava Bush.

"Drink life as it comes..."

Me faz lembrar o quanto o passar do tempo depende de certos fatores também igualmente passageiros. Como uma semana, tão dolorida, pode demorar eras; e o quanto mais eu gostaria que as horas, os dias, os meses se arrastassem pra que não esquecesse do cheiro, do gosto, do rosto... mais parece que eles voam.
O medo de esquecer as coisas especiais sempre atormenta. A gente tenta buscar no fundo da memória um jeito de refrescar os pensamentos, de se transportar para os momentos mais preciosos como uma maneira de não deixar apagar a chama que nos faz querer vencer obstáculos para revivê-los. Mas é difícil; justamente porque o tempo e a distância fazem parte de um ciclo vicioso que encontra na paixão sua antítese favorita. Então o ser humano cai nessa armadilha bem bolada (e traiçoeira), deixando para trás o que lhe movia, para dar lugar à comodidade e ao conformismo. Estes por si, afastam ainda mais a paixão... por coisas, pessoas, lugares, sonhos.
Isto, em ditas proporções bem maiores, pode soar loucura.
Ainda bem que em meio a esta quase-loucura, horário de fechamento (este sim é o rei: passa voando, incrível!) das edições, exigências... tenho algo que o tempo não pode lutar contra: a música. Sim, porque a música é uma forma de eternidade... e posso até vir a esquecer o cheiro, o gosto, a forma como se encaixam os braços que formam o abraço, mas sua voz eu nunca vou esquecer. Justamente porque está na música. Viva a paixão, a música, a voz.
Enquanto isso, só me cabe continuar esperando.

posted by: Loy*
ouvindo: Bush - Straight No Chaser

quarta-feira, julho 25, 2007

I'll risk!

I feel alone
But now, it doesn't matter cause
I still believe you lost in me, everything
Love, field of lull
And all I have been, I've been for you.
I believe in you.
Part of me will always be you.
Surrender to me
I'm ready to break all these walls.
Bring down to me
Untie me to live on dreams I've sold long ago
I'll risk all to see.


posted by: Loy*

sexta-feira, julho 06, 2007

Silêncio que atordoa

Vou usar esse canal para desabafar algo que, sinceramente, me deixa inconformada. Creio que este aqui é um veículo livre, cujo espaço pode servir para a dor, a alegria, a desilusão, o encantamento mas também para protestos.
Cara, a liberdade de expressão é algo incomensurável para o homem. Até que ponto um ser humano, utilizando-se do fato de que é dono de uma empresa de comunicação, pode vetar notícias porque não quer concorrentes para uma outra empresa sua, que nada tem a ver com a primeira, mas tira vantagem desta?
É um absurdo um repórter não poder CITAR o nome de uma banda que irá tocar na cidade só porque o dono do jornal vai ficar putinho. Pois ele deveria aprender que certos eventos, principalmente se forem deste estilo escroto que ele gosta, não possuem o mesmo publico que outros certos eventos. O caderno de cultura fica seco. Pobre. Restritíssimo. Bocas são fechadas; um silêncio que atordoa.
Quem perde? Não sei se os demais produtores da cidade ou o próprio veículo de comunicação, que falta com imparcialidade, ética e acima de tudo, NOÇÃO.
Esse tipo de jornalismo vendido é uma grande bosta e eu me vejo de mãos atadas por não poder reclamar pra ninguém. Aqui eu reclamo; e foda-se.


Posted by: Loy*
Ouvindo: Crossing enemy’s line

sábado, junho 30, 2007

Preguiça


Como hoje é um sábado à noite bem cretino e eu adoro ficar só e completamente só, não tem ninguém pra atrapalhar meus pensamentos. Quão bom é isso, hein? Eu poderia escrever um livro inteiro só hoje.
Estou psicologicamente dominada pela preguiça nessa história de monografia. Queria um tema legal do tipo “a história do heavy metal no amazonas”, acho que isso iria me motivar. Mas ter que mexer em lei, pegar em constituição, declaração universal dos direitos humanos, lei de imprensa, código de ética dos jornalistas...
Já, já deu preguiça. Fazer o que, né? Imagina a bancada da monografia me olhando seriamente e eu explicando que o Glory Opera é uma das bandas fundamentais para difundir a cultura do heavy metal em nossa região, justamente um estilo tão underground, por assim dizer, mas que tem tantos adeptos na cidade (imagine, eu ia ter que fazer um “censo” pra descobrir seus true’s seguidores), mais até do que em muitos lugares do Brasil...
Nem, nem. A primeira coisa que eles iam falar assim que eu terminasse de falar: “Minha filha, você estudou quatro anos em uma faculdade federal pra explicar isso? Qual a importância disso?”. Sim, sim, concordo que haja importância, mas talvez não pra eles. Esses caras ouvem direto propostas para mudar a categoria, a cidade, o País, o mundo...

Ia ser motivo de piada.

...

posted by: Loy*

terça-feira, junho 26, 2007

Endless way home

Eu disse que era uma semana. UMA semana.
Não sei se o tempo me ludibriou ou se o coração ludibriou o tempo ou se o coração me ludibriou. Mas alguém se confundiu aí com certeza.
Agora, as tardes ociosas têm até trilha sonora. Me dá uma vontade louca de cantar música brega! Não que seja propriamente música de brega, mas aquele tipo de música que perpetua o style brega sem ser deste ritmo. D'u know what I mean?

Tipo...

"My love... there's only you in my life... the only thing that's right"

Cores que se perdem, cenários que se distorcem, oceanos que secam. Nuvens cinzas que cobrem o sol. Existe uma única palavra que martela na minha cabeça. Aquela. Simplesmente, ela não me deixa em paz. Devo considerar isso como um aviso de despejo. Só pode ser isso.

Não sei, acho que tô virando emo.


posted by: Loy*
ouvindo: Lionel Richie, o rei da rádio cidade.

terça-feira, junho 19, 2007

Antes do amanhecer

O dia passou, a tarde passou, a noite chegou. Veio a ansiedade, o nervosismo, a raiva e a tristeza, mas elas também passaram. O dia também veio e passou. As horas foram longas e ao mesmo tempo escassas. Não queria que a noite tivesse acabado, mesmo assim...
O que não mudou mesmo foi esse sorriso bobo na minha cara.
;)
"I get knocked down, but I get up again, you're never gonna leave me down!"


posted by: Loy*
recomendação de filme: Antes do Amanhecer (Ethan Hawke e Julie Delpy)

quinta-feira, junho 07, 2007

My reasons to be a murderer

“Cry a river for my enrapt
Behavior: one to random.
Leading the rank of all the rays, yet,
Fade out the sight, I'm afraid of the light
Fatherless for all my life
A reason to want and wait this alibi”



My reasons to be a murderer: Eu teria todas as características para ser uma serial killer. Não fosse pelo espírito superprotetor da minha mãe. Ao menos não fosse por ela...
A confusão de idéias na minha mente, uma onda sem fim que me deixa acordada e salta em meus olhos. São janelas que denunciam a desordem espiritual. Entrei no consultório do neurologista e ele logo entendeu o que se passava. Fico irriquieta. Minhas pernas não param um só segundo.
Vivo a sensação constante de estar fazendo tanto, até além da minha capacidade como ser humano, mas ao mesmo tempo não fazer o suficiente.
Se você me perguntar agora como ela era, não vou lembrar. Sei que ela riu da minha cara enquanto eu ouvia meu mp3 player e rabiscava neste caderno; deve ter me considerado uma louca, daquelas bem paranóicas, que não conseguem relaxar nem enquanto esperam para ser atendidas pelo neurologista. Querendo ou não era verdade, né?
Mas não gostei da forma como ela me olhou. Logo pensei em puxá-la pelos cabelos e joga-la no porta-malas do meu carro. Depois, iria segurar a faca...

Drop the knife,
Dramatize;
A little of me wants a dramatic role...
Grow your lines,
Dragonfly.
A runaway guides to a locked room…”

… mas sei que iria bater o arrependimento. Não sou tão livre assim. Livre da falta de consciência humana, que nem é humana por assim dizer, é monstruosa. Eu iria querer o colo da minha mãe para dispensar todas as minhas mágoas, visto que ela, somente ela além de mim, conseguem me fazer sentir melhor quando ondas negativas me rodeiam.

“Hold me lilac rose and...
Hide inside my eyes.
Long run to learn me and live as one
Life: why me?”

Por que havia escolhido ela? Só porque me olhou torno com um risinho sacana enquanto eu expurgava meus demônios? Eis a resposta: não me olhe com essa cara sarcástica enquanto eu estiver expurgando meus demônios, ouvindo musicas raivosas e rabiscando no meu caderno, que é uma forma de organizar minhas idéias. Talvez não...

“Well, sometimes I think I only caught you because of your lipstick”.

Já estava meio alcoolizada ontem quando me bateu a terrível idéia de fazer um caminho diferente só pra ver se eu agüentava o rojão. A figura pálida me instigava ódio e eu tinha em minha mente todo o trajeto que faria desde o momento que considerasse concretamente a possibilidade de tirar sua vida. Que vida que nada. Ela era uma natureza morta desde sempre. Só iria tirá-la do convívio da sociedade, pois ela era tão insuportável.

“You listen to me! what a fool you are
Imagined I apologize for anything!

Nunca! A idéia continua me rondando. Então, cuidado... que eu posso seguir meus instintos.

Posted by: Loy*
Ouvindo: MindFlow – FOLLOW YOUR INSTINCT

domingo, junho 03, 2007

A Thousand Miles From You

"A thousand miles from you, endless way home
I navigate on seas unknown.
Leave me so I can move on,
Build strength on my own.
Another time brand new for me starts...

A movie in slow motion
Frame loosing colors,
Drying the oceans

All there is... is a gray dark cloud,
Rising a shield facing my sun
But I won't take cover,
I look over my shoulder
Miles from you"

...

Vazio. Tomou o peito e o mundo em que vive; aquele, que parece só existir a milhas de distância, senão, se resume a uma contagem regressiva que não sabe o dia certo de parar. E ao se dar conta disso, chove, de todas as maneiras possíveis. Pressão. Mas de um tipo involuntário. Daquele jeito que dói no músculo, pressiona também a mente, escasseia as palavras e as reduz a uma coleção de termos batidos, rasgados, já antigos. Tão antigos que me fazem questionar porque ainda existem, mas acho que, talvez estejam em busca de se concretizar. Sair do mundo das idéias. Deixar de serem meros termos vazios.
Tardes cinzentas que só vejo pela janela do trabalho. Não é possível contemplá-las, então elas acabam se transformando em noites vazias. Caminhos alternativos para não ter que passar pelos mesmos prédios, mesmas pessoas, mesmas paisagens que só reforçam a necessidade do novo, mas aí vem a contagem regressiva sem prazo de validade, vem as milhas, vem a escassez. O ciclo é vicioso.
Por vezes, há como escapar, diminuir a distância e quebrar o ciclo. Neste instante raro, a escassez, que ainda significa existir alguma coisa, mesmo que pouca, encontra o esquecimento. Este sim, não dá espaço para nenhum termo batido. Emudece. Há tanto para falar, mas falta voz, porque diante de tanta beleza – agora despida da distância – palavras são o que menos vem à mente, pois há tanto ali para se absorver, daqui para a eternidade, a minha eternidade, que não existe maneira de medir palavras. Talvez devesse ter falado algo a mais, porém, acho que disse o bastante. Até porque, as mãos tremiam.
A escassez existia porque queria continuar existindo, mas em um plano concreto. Queria transformar cada pouca palavra que ainda restava no meu vocabulário, em mãos e braços, beijos e abraços. Concretos. Entretanto veio o esquecimento justamente quando as mãos abraçavam, os beijos tocavam e então não pude – não porque não quisesse, mas porque a beleza concreta emudecia – dizer que a contagem regressiva acabaria assim que pudesse levar para onde eu quisesse aquele sorriso, dentro de mim, na mente, no coração. Daí então, a distância passaria a ser um mero detalhe...

Lê com um pouco mais de atenção dessa vez, honey mine? Muitas, muitas, muitas saudades de você. Luv ya.

;********

posted by: Loy*
ouvindo: MindFlow - A Thousand Miles From You

segunda-feira, maio 28, 2007

I tried so many ways...


Te juro que achei que ia ficar doida. Cheguei ao ponto de conversar com o espelho e até bati altos papos com ele, que para o meu desespero, não me apresentava outro ponto de vista diferente, só repetia o que eu falava. Fui sincera, incisiva, só que não conseguia vencer um medo interno, terrível, que me diminuía. Quantas vezes perguntei: porra, quem és tu? Está aí duvidando das tuas capacidades, como alguém que tem alma pequena. Quem és tu?
O jantar está servido em uma sala aqui do lado. Não sinto fome. Não me sinto à vontade. Não quero descortinar sorrisos falsos, até porque eles não combinam com olhos inchados e nariz vermelho. Vazia... em uma roupa bonita, caríssima. Só assim que consigo me enxergar no momento.
São 22h e ainda estou com um crachá estúpido com meu nome. Trabalho que me consome. Parecia cachorra sem dono, daquelas que se perderam há tempos e ainda usam coleira para identificação. Uma coleira velha, sem uso. Porque o dono não irá voltar. Ou mesmo o vira-lata não vá voltar...
Quem és tu? Como diria Cecília Meirelles, "em que espelho se perdeu a minha face?"
Queria poder escrever a noite inteira porque é uma forma de organizar os pensamentos e voltar para dentro de mim mesma. Só que os minutos estão acabando e eu não sei o que fazer. Odeio essa sensação de impotência.
Odeio não poder entrar na cabeça das pessoas. Odeio ver que o tempo está passando e não há forma de fazê-lo parar. Odeio chorar e borrar a merda da maquiagem na frente de todo mundo.
Odeio o fato de não odiá-lo, nem um pouco, nem um minuto, absolutamente nada.
Meu corpo vai, mas a saudade fica.

(texto escrito em 21/05/07)

posted by: Loy*
ouvindo: "I tried so many ways to free my heart from you. I fear all was in vain..."(Glory Opera)

p.s: É bom mesmo esse bar perto da Av. Paulista? Se for, vou já preparar um convite.

quarta-feira, maio 23, 2007

Magnetismo inexplicável

Ainda era jovem. Havia casado cedo demais e, por conta disso, não teve muitas aventuras amorosas. Não que não amasse a esposa; apenas disse que gostaria de tê-la conhecido posteriormente em sua vida.
Era um jornalista formado. No primeiro semestre de faculdade, quando enfrentava a transição de menino para homem, começou a namorar. O tempo levou sua aparente juventude, de forma que aos 28 anos, sinta-se com o dobro.
O vinho arrancou-lhe uma confissão: "O casamento parecia ser o próximo passo". Com isso, percebi que ele havia subestimado todo o processo e por meio dessas palavras, revestia tal instituição com um caráter quase burocrático.
Mesmo com todo aquele peso nas costas, não deixava de sorrir um único minuto. Talvez porque soubesse que seu sorriso era lindo. Admirava sua perseverança de ter ganhado prestigiosa posição no ofício que escolhera - o mesmo que o meu - mesmo debaixo da reprovação dos pais. Era forte. Senti que ele parecia comigo.
Forte e sorria bonito. Mas chorava por dentro porque não entendia como a mulher da sua vida não lhe legava um casamento bom, excitante. Ele queria mais. "Na primeira semana de casados, quase me separei por conta de um Danete", foi sua próxima confissão. Achei tolo, fofo e trágico.
O vinho acabava e eu queria ouvir toda sua história, porque, incrivelmente, achava interessante tudo que se relacionava a sua vida. Um magnetismo difícil de explicar. No entanto o sono pegava no meu pé e eu lutava para manter meus olhos abertos. Acho que seria legal nessa hora, apenas fechar os olhos e ouvi-lo falar. Talvez debaixo de um céu estrelado.
Sei que ele não era bonito, mas toda aquela experiência forçada e semelhança de alma, a cara triste e o sorriso lindo, me fizeram gostar dele. De primeira. De um jeito diferente.
Olha só! Lá está ele. É hora de parar de rabiscar esse papel e se preparar para mais uma "dose" de boa conversa. Ele sorri artificialmente para prestar boas maneiras quando está perto dos outros, mas quando ele senta do meu lado, pode ser ele mesmo.
E eu ainda me fascino com esses simples e inesperados momentos da vida...

posted by: Loy*
ouvindo: Tender Surrender

sábado, maio 19, 2007

Alguma coisa acontece no meu coração

foto: Mercado Municipal de São Paulo

"Alguma coisa acontece no meu coração
que só quando cruzo a Ipiranga e a Avenida São João
é que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi
da dura poesia concreta de tuas esquinas
da deselegância discreta de tuas meninas

Ainda não havia para mim Rita Lee, a tua mais completa tradução
Alguma coisa acontece no meu coração
que só quando cruzo a Ipiranga e a Avenida São João

Quando eu te encarei frente a frente não vi o meu rosto
chamei de mau gosto o que vi
de mau gosto, mau gosto
é que Narciso acha feio o que não é espelho
e a mente apavora o que ainda não é mesmo velho
nada do que não era antes quando não somos mutantes

E foste um difícil começo
afasto o que não conheço
e quem vem de outro sonho feliz de cidade
aprende de pressa a chamar-te de realidade
porque és o avesso do avesso do avesso do avesso

Do povo oprimido nas filas, nas vilas, favelas
da força da grana que ergue e destrói coisas belas
da feia fumaça que sobe apagando as estrelas
eu vejo surgir teus poetas de campos e espaços
tuas oficinas de florestas, teus deuses da chuva"

...

Senti frio. Mas frio demaaaais. Pense em muito frio multiplicado por mil. Peraí, ainda não é todo o frio que senti. Minhas mãos tremiam. Mal sentia meus pés e eles já andavam por si só, automáticos, eu nem mandava mais neles.
Estava sozinha e cruzei a Av. São João, a 25 de março, a 24 de maio e todos os outros dias e meses do ano dessa cidade que é um universo inverso, do avesso, do avesso, do avesso de tudo que estou acostumada...
Não me intimidei com a chuva e com as gritarias do pessoal querendo vender de tudo possível. Quem era eu ali? Conhecia a Eduardo Ribeiro, nada demais. Confesso que considerei aquilo que chamam de comércio na 25 de março algo mais parecido com um safari humano, onde as pessoas gritam no teu ouvido, jogam as coisas no teu colo, só faltam arrancar o dinheiro das tuas mãos e quase te empurram pra dentro das lojas. Foi engraçado. As melhores frases que ouvi foram:
"massá, massá, massá... mÁÁÁÁssageador tá barato, compra aí!!"
"capa de chuva é dois real, capa de chuva é dois real, capa de chuva é dois real, capa de chuva é dois real, capa de chuva é dois real, capa de chuva é dois real, capa de chuva é dois real!"
"capa de chuva é 1 e 50!" (olha a promoção!)
"pinto, pinto! olha o pintinho amarelinho..." (lembra daqueles pintinhos a pilha, bem infância anos 80?)
"quem fez chapinha hoje se fodeu!" (delicada referência dos comerciantes à chuva forte que caía)

Em seguida, Galeria do Rock. Clichêzão. Até gosto de lá. Não passo mais de um mês sem conferir as novidades que aquele lugar peculiar apresenta. No entanto, devo admitir que esses tempos as ofertas de lá estão meio escassas. Procurando uma bolsa, só achei infinitos sacos de pano com estampas de zebra e oncinha, ou objetos de plástico, mal feitos, com caveiras de lacinhos e cerejas. Pelamôr.
Querendo ou não, é uma diversão e tanto! Ali o pessoal parece que anda fantasiado. Tinha um rapaz com capa de vampiro, se achando o próprio Lestat, sentado, pensativo, com mais lápis no olho do que o Alice Cooper. Escapou um risinho da minha face e senti que ele ficou meio puto.
Finalmente conheci o Mercado Municipal. Comi um belo pastel de bacalhau pra poder dizer que já provei dessa porra, mas a fila estava tão grande que eu, eu mesma, já estava azeda quando o pastel ficou pronto. É gostoso. Mas tava meio frio já.
Não posso dizer que não parei de pensar em distância, porque a merda da distância já existe em condições normais e então até por aqui ela me perseguiu. Vai embora, sua puta. E ela vai. Mas só vai quando não faz mais diferença. Por que será?
Bom, na falta de poesia, fico aqui, curtindo o frio e esperando o Maroja terminar de fazer nosso jantar. E desejando, a cada minuto que passa, que o pianinho venha logo pra casa.

São Paulo é São Paulo. É frio, mas é paixão que aquece. Enche o peito. Me sinto em casa. Alguma coisa acontece no meu coração...


posted by: Loy*
ouvindo: mtv ligada aqui

quinta-feira, maio 10, 2007

Um ensaio sobre o nada

Estou sem idéias. Sem paciência para palavras rebuscadas também. Logo eu, que nunca tive problemas em me expressar, não sei do que falar. Nos últimos tempos me entreguei de corpo e alma ao ofício que, ao que me parece, não está sendo bem compreendido. Brincando com termos para não transformar um texto em algo seco e óbvio, acabei dando voltas maiores para chegar ao assunto. O discurso direto quase não faz mais parte da minha escrita. Mas chega. Cansei das metáforas. Junto delas, mandei embora a criatividade. Beijo, não me liga.
Então resolvi sentar aqui e escrever sobre nada.
Não sei se agrado ou se incomodo. Não sei se estão por aí falando que eu não sei escrever, que não entendem como trabalho em um jornal tão grande, como faço o que faço, como consigo me desdobrar em tantas que acabo me perdendo em meio às atividades. Acumulo três cargos dentro de uma mesma área, mas a minha profissão de ser humano se confundiu tanto com esta primeira, que nem sei se alguém que não seja workaholic, exista aqui dentro. Então eu existo quando estou só e assim consigo avaliar o quanto ainda restou de mim, depois de terem sugado minha imaginação, minha criatividade, meu tempo, minha saúde, minhas palavras.
Mas o fato é que eu existo, em seja lá qual plano. Não dá para superar isso. Vou demorar existindo por aqui, quer queiram, quer não. Agora vai vir um(uma) fulana por aqui e vai dizer: “Porra Loyana, tu não tens nada melhor pra fazer não?”
Tenho, tenho sim. Quem ainda preserva a tradição de comprar jornal, deve imaginar o quanto tenho que fazer. Deveria estar pensando em uma boa frase em homenagem ao Dia das Mães em vez de ficar aqui dissecando sobre o que não consigo escrever. Tudo que eu quero está em minhas mãos, inclusive o que muitos consideram impossível (Não tô falando só de relacionamentos, é bom ressaltar. Escrevo muito sobre a paixão porque tenho uma inspiração linda – melhor dizendo, lindo – mas devo admitir que minha vida é completa impreterivelmente por minha única iniciativa e vontade), mas o tempo corre, tem gente cobrando e a inspiração não vem.
Incrível como certas pessoas conseguem tanto com tão pouco.


Posted by: Loy*
Ouvindo: intermináveis solos de guitarra (que me conquistam sim, ao contrário do que a Paula Toller possa acreditar).

sexta-feira, abril 20, 2007

Leseira baré

3 da matina. Ê vontade louca de escrever sobre algo que não seja o fascículo "Melhor Idade", publicado semana que vem pelo jornal. Trabalho extra, mano. Ganho extra, claro. Mas cansaço extra na maior proporção que o ser humano pode imaginar...
Do meu lado, só um enorme copo de café pra me manter acordada. O celular tá me olhando com uma cara de sacana que diz "ei, vou te acordar às 6:30, porque amanhã (hoje, no caso) vai ser um dos dias mais brutal death metal da tua vida de proletariada"...
Tá, foda-se. Pode me acordar (isso se eu dormir). Eu vou descontar toda essa porra em breve, preferencialmente longe daqui.
Legal mesmo é ter que escrever prum guia de saúde & bem estar e não seguir praticamente nada do que ele receita. Porque a titia Loyana ensina: "nada de álcool, estresse, ansiedade, comer besteira, dormir tarde..." e pega e passa na banca de revista, olha o que ela escreveu e pensa: "caralho, eu não faço nada disso..."
Mas hoje em dia eu sei bem avaliar o valor das coisas. Sou grata por todas elas. Até as merdas que aconteceram (digo no passado porque faz tempo que não acontece merda, ainda bem), serviram de alguma coisa. You know why?
Na verdade, isso será demonstrado em breve. Em breeeeeve... já está tendo seu devido valor reconhecido, mas eu quero sempre mais... menino, eu nem sei pq eu tô escrevendo essas ondas todas, deve ser o puta sono e os encargos me dizendo pra escrever pros fascículos, pras campanhas publicitárias (tá boa que me pegaram emprestada como redatora tbm? é de deixar o caboco doido de tanto trabalho), pros VT's que vão pra televisão, pros textos que vão pro site, pro release que tenho que fazer, pro fresco do caetano veloso que tá vindo aí, pras duas matérias que irão sair esse fim de semana...
E são três da matina. Daqui a 24h estarei so far away... e vocês aí, perdendo tempo e procurando ler meu blog e mostrando pros outros. ;D g-e-t-a-l-i-f-e!
Como diria um amigo meu: "Tu ainda não entendeu que tu tá no comando?" :P
Tô, tô sim... mas é que certas borboletas ficam fazendo festa no meu estômago e com tanta ansiedade acumulada, eu nem vou conseguir fazer jus aos conselhos que dou pro pessoal que lê o jornal, para não adquirir essas doenças horrorosas.
Mais uma vez a frase faz sentido:

Follow your dreams cuz' we all die young!

posted by: Loy*
nunca fiquei tão feliz de ver míseras palavras piscando na minha caixa de entrada.

sexta-feira, abril 13, 2007

Deleite

Êêêê borboletas que voam... desesperadamente!
O tempo passa arrastado, mas os dias não vão mais de par em par. Eles têm um propósito. Não um único propósito claro, mas metas bem definidas.
Para pensar, só tive praticamente o momento enquanto andava pela 24 de maio, em meio a pingos espaçados de chuva. Uma caminhada de no máximo 5 minutos. Acreditem, foi o suficiente para passarem milhares de idéias, sonhos e medos pela minha cabeça. Mas eu não hesitei e continuei andando para meu destino.
Quando virei a esquina e dei de cara com o lugar final, lembrei de algo que havia lido no dia anterior, em um cantinho muito especial e oportuno:

"Follow your dreams cuz' we all die young..."

Então me veio à mente: pra que esperar? As músicas que quero tocar eu aprendi, as coisas que ainda tenho que falar estão na ponta da língua. Está tudo aqui e a oportunidade é essa, porque a vida é agora. Às vezes o universo não te dá de mão beijada aquilo que você deseja, mas te dá condições para isso. Você deve seguir seus instintos.
Dinheiro no bolso eu tenho (afinal, duvido que alguém aqui trabalhe mais do que eu :P), mas o preço da saudade é ainda mais caro. O amargo é só pensar. Se eu posso fazer isso tudo e há um preço, eu pago, como já paguei antes.
O investimento que mais vale a pena na vida. Porque pra mim, só o sorriso, honey, faz a vida valer a pena ser vivida.

posted by: Loy*
ouvindo: no more remaining time to cry and feel the pain!

sexta-feira, abril 06, 2007

Estímulo

Esse post vai pra você. Existem pessoas que conseguem entender a tua alma, mas achá-las é uma tarefa árdua... e por ter achado alguém com quem conversar por horas é um prazer, por que não celebrar?

Me faz querer tentar!! Eu já dei meu primeiro passo por aqui. Obrigada pelo estímulo... Beijoss!
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- Fades the last remembrance, of your LOVELY pretty face... - diz:

vc me faz querer tentar

xxxx diz:

so do it babe

xxxx diz:

:)

- Fades the last remembrance, of your LOVELY pretty face... - diz:

you think I should?

xxxx diz:

I actually think if there´s a person that could do it, so there she is.






posted by: Loy*
ouvindo: "I will whisper to you, through birds and all the living creatures..." (Glory Opera)

terça-feira, março 27, 2007

Just believe

Olha só rapaz, não é que a audiência do meu blog tá alta?! Hahahahaha...
Ah, que isso, um blog tão tímido... ou seriam tímidas as pessoas que o lêem? Gastam um certo tempinho da vida delas se dedicando à leitura do que eu escrevo... ótimo, porque um dia ouvi que quem lê viaja. :D Olha só, VOCÊ (apontando na sua cara), assíduo leitor(a) (como diria minha chefe), não se limite ao meu blog, caro amigo(a). Existe o Jornal A Crítica que você pode comprar só pra ter o prazer de ver meu nominho lá. Assim você aumenta minha audiência, vende mais jornal e a empresa fica mais rica. Legal, né?
Tudo bem. Vai ver que é realmente interessante querer saber da minha vida, apesar d'eu falar dela de forma que só eu e pouca gente entende do que eu tô falando. Ainda assim, a carapuça serve pra quem quiser. Agora só uma coisa: cuidado, preste atenção no que você lê, caso contrário, poderá se sentir glorificado/depreciado com algo que tá tão longe do teu ser... tá?
Mas vamos lá. Vamos ao texto em si, que é o que interessa a VOCÊ, meu leitor!! (Agora tem audiência! Falando sério, sempre soube que meu texto era envolventeee... ui)
Vamos falar hoje de capacitação, de coragem, de determinação. Você quer algo? Vamos lá. Corra, desenhe, pinte, gaste seu dinheiro, faça contatos. Uma hora, pode ser depois de um tempo ou não, você consegue. Esse tipo de poder é foda.
E o poder não é à toa. Tem nome. Chama-se "lei da atração". E só acomete quem pensa grande. De vidinha medíocre, não dá, né? Tem que sonhar grande, tem que querer mais da vida. Você tem que procurar novos horizontes, porque o que nos define hoje é como fomos no passado. Quem quer viver de museu? Só quem é limitado. Olhando pra frente é que se vai... vai... cresce.
Aplico muito essa filosofia à minha vida, logicamente. Mas fiquei deveras interessada no assunto quando recebi minha pauta de ontem. Tem gente que subestima essa história do pensamento positivo, do empenho, da força de vontade e da coragem. Não, meu amigo, não faça isso. Siga o exemplo da minha mãe, nem que pareça exagerado: cole pela casa inteira várias frases de motivação (like miracles happen everyday, honeys). Daí você precisa escrever o que você quer, pensar nisso, pensar como seria ter aquilo que você tanto deseja. Daí verificar o sentimento que te dá ao pensar nisso. Prenda-se nesse sentimento. Ele é a montanha russa que irá te levar aos teus wildest dreams...
Não importa o quanto impossível ele possa parecer. Para o Universo, nada é difícil. Faça a sua parte, mova estas rodas! E para acompanhar o resto desse pensamento, só mesmo comprando o Jornal A Crítica de domingo hahaha...
Finalizando, algo escrito por alguém que instiga meus mais fortes sonhos. Ainda bem que, pelo menos no meu caso, certos sonhos se tornam realidade ;D

“Tem que acreditar... É só fazer com vontade, trabalhando mais do que todos que estão ao seu lado, mas não por competição, e sim porque não haverá ninguém que goste mais do que está fazendo do que vc. Fazendo com dedicação e seriedade, superamos qualquer adversidade de mercado, afinal qualquer empresa procura pessoas dedicadas e que amam o que fazem. Vc acredita que para quem eu falava que iria gravar um cd solo da forma que gravei, eu recebia a resposta de que eu devia estar louco? Só uma pessoa me falou para não ouvir os outros e acreditar em mim (não preciso falar que essa pessoa é dona de uma das maiores empresas de instrumentos do Brasil, e lutou muito para ter o posto que tem hoje). Quantas vezes ouvi que o Angra não iria para frente sem o André, e o Ronaldinho que falaram que nunca iria jogar mais...Que profissão é fácil de se destacar? Só aquela que amamos fazer. As pessoas que reclamam que o mercado esta difícil e estão desempregadas, estão porque elas são boas no que fazem e se satisfazem com isso. Quem é bom está fora do mercado mesmo, e quem é ótimo tem um emprego razoável. A busca está em ser excelente, o melhor! Será só uma busca, porque ninguém é "o melhor". Mas a graça está na "busca" e não no "encontro" para aqueles que amam o que fazem”.

Time to believe.

Posted by: Loy*
Ouvindo: minha subeditora passando meus encargos da semana

P.S: GLORY OPERA DIA 31/01 no TROPICAL HOTEL! Liga pra mim pra saber.

domingo, março 25, 2007

Vem aqui dar uma espiada!

Vou dedicar essa música pra você, só pra você, pq você merece. Você merece porque simplesmente deveria ganhar o prêmio de idiota do século.
Porque é fraco, loser, limitado. Tanto, que não aguenta uma pressãozinha, uma briga, um conselho. Você quer a merda da coisa sem graça. Mesmo que tenha dito que a estabilidade era um saco, que não te empolgava, que era feia gorda e sem graça. Que não fodia bem. Que pensava em outras (outras A.K.A eu) enquanto estava com ela. Ótimo, acredito que se ninguém te abduziu pelos últimos tempos, você deve continuar pensando assim, só que pela falta de opção, vai atrás de comer aquela merda.
Essa foi a melhor demonstração de o quão PERDEDOR você é. Me economiza, vai... eu sou um turbilhão e turbilhões não combinam com pessoas sem graça.
Mulheres são como maçãs em árvores. As melhores estão no topo. Os homens não querem alcançar essas boas, porque eles têm medo de cair e se machucar. Preferem pegar as maçãs podres que ficam no chão, que não são boas como as do topo, mas são fáceis de se conseguir.
Assim as maçãs no topo pensam que algo está errado com elas, quando na verdade, ELES estão errados... Elas têm que esperar um pouco para o homem certo chegar, aquele que é valente o
bastante para escalar até o topo da árvore.
Ah, e for the record, guitarristas fodem melhor. Inclusive o melhor do mundo também é melhor do mundo em vários outros departamentos.
Loser.


I want you to know, that I'm happy for you
I wish nothing but the best for you both
An older version of me
Is she perverted like me?
Would she go down on you in a theatre
Does she speak eloquently
And would she have your baby
I'm sure she'd make a really excellent mother...

Cause the love that you gave that we made wasn't able
To make it enough for you to be open wide, no
And every time you speak her name
Does she know how you told me you'd hold me
Until you died, till you died
But you're still alive

And I'm here to remind you
Of the mess you left when you went away
It's not fair to deny me
Of the cross I bear that you gave to me
You, you, you oughta know

You seem very well, things look peaceful
I'm not quite as well, I thought you should know
Did you forget about me Mr. Duplicity
I hate to bug you in the middle of dinner
It was a slap in the face how quickly I was replaced
Are you thinking of me when you FUCK her?

Cause the love that you gave that we made wasn't able
To make it enough for you to be open wide, no
And every time you speak her name
Does she know how you told me you'd hold me
Until you died, til you died
But you're still alive

And I'm here to remind you
Of the mess you left when you went away
It's not fair to deny me
Of the cross I bear that you gave to me
You, you, you oughta know

Cause the joke that you laid on the bed that was me
And I'm not gonna fade
As soon as you close your eyes and you know it
And every time I scratch my nails down someone else's back
I hope you feel it...well can you feel it

And I'm here to remind you
Of the mess you left when you went away
It's not fair to deny me
Of the cross I bear that you gave to me
You, you, you oughta know


posted by: Loy*

terça-feira, março 13, 2007

I love Sampa!

Ninguém me ensinou a amar São Paulo. Eu aprendi sozinha a gostar de cada pedaço caótico dessa cidade, cada pedra que eu tropeço no meio de suas ruas, cada esquina, toda a correria que a envolve, todo esse mundo que cabe aqui. Claro que eu não a conheco por inteira; esse pedaço de terra é grande demais, e eu sei que tem gente que mora aqui a vida inteira e ainda anda com um mapa dentro da bolsa (como eu tô agora).
Ainda assim, sinto que conheco seus traços. Não sei se é porque as ruas são meio iguais pra mim (já penso que estive em todos os lugares), não sei se as pessoas parecem familiares. Os 4000km que me separam da cidade em que eu nasci, parecem distantes o suficiente, não é redundância, é que não me interessa saber o que se passa por lá.
A liberdade daqui é enorme. Depois de encher minha bolsa com três CD's maravilhosos que não existem pra vender aí no gates of hell (mas aqui são baratos e tem de monte!), virei a esquina, comi um blackdog... me deu vontade de escrever.
Virei outra esquina, comprei um chocolate quente e aqui estou na FNAC.
Como diria o Supla, eu amo São PaulO!!

sábado, fevereiro 17, 2007

The ghost of past carnival

Ver todo aquele chão coberto de confete em meio a sons tão nostálgicos...
Fora os fatores profissionais, que estavam me deixando louca. A gente vê como as coisas mudam rápido e que não é fazendo as mesmas coisas de sempre que podemos esperar resultados diferentes, ou pra ser mais pretensiosa, melhores.
As emoções estavam ali, à flor da pele, mas eu as segurei. Tentei deslocar os pensamentos para memórias mais frescas e interessantes.
Mas ainda assim, o fantasma estava ali, me assombrando. Revivi tudo como se a sombra estivesse ali. Sim, o fantasma do carnaval passado.
O lugar pareceu pequeno, apesar do número de pessoas não dar essa impressão. Ter pensado naquilo tudo fez inclusive meu mundo parecer pequeno, logo ele que havia crescido tanto e inchado a ponto de caber um universo (inverso) ali dentro. Um universo dentro dum mundo, que loucura. E olha que eu nem bebi tanto lá.
Me senti uma idiota. Não deveria me sentir assim, não, de jeito nenhum! Afinal, meu cotidiano sempre me reserva surpresas boas, por que eu vou ficar idealizando o passado?
Tentei expurgar meus demônios. Mas ainda bem que não fiz besteira, porque quando eu acordo no outro dia, a dor de cabeça é dupla. E fiz do jeito que eu achei melhor, foi foda. Aposto como todas as pessoas do mundo tem vontade de fazer o que eu fiz, mas não fazem porque não tem coragem. É, meu bem, mas eu não gosto de deixar as oportunidades passarem. Vem cá, senta aí no teu banquinho, cala a boca e ouve o que eu vou falar. Não me interrompa, ainda não acabei. Eu preciso te dizer tudo que eu penso, mesmo que você me odeie depois. Aliás, quanto a isso eu tô pouco me fodendo. Não gosto de você mesmo, então pouco me importa se você vai ficar puto ou chorando depois de me ouvir.
Saí de lá com a alma lavada. Vocês deveriam experimentar isso. Such a rush.
É mesmo né? Pensando melhor agora realmente não tenho porque ficar idealizando o passado. O futuro sempre parece mais desafiador e interessante.

Já chega de mundos pequenos!

Posted by: Loy*

Ouvindo: caaaaroliiiina four took a river to the sky!

terça-feira, fevereiro 06, 2007

More than words

Eu falei pra ele: “ ‘More Than Words’, por mais que seja uma música clichê pra caralho, quando a gente presta atenção na letra, é realmente bonita...”. Ele me falou: “Que fala que você não precisa dizer que ama alguém, basta demonstrar?”. Eu falei: “É... muitas vezes essa história de dizer ‘eu te amo’ é meio desnecessária. Atos valem mais do que palavras, porque palavras são volúveis”. Peguei o violão e comecei a dedilhar a música...
Ele me falou: “Mas com mulher isso é quase impossível. Depois de um tempo, elas fazem sentir como se isso fosse uma obrigação, que você tivesse que falar e depois que fala, tem que ficar repetindo”. Eu respondi: “Nem sempre. Depois das experiências que tive, devo admitir que gestos valem bem mais que palavras. Palavras não são nada. Só valem se acompanhadas com demonstrações”.
Não subestimem o amor. Não subestimem dizer “eu te amo”. Não subestimem ter apenas uma hora de almoço e ainda assim almoçar todos os dias com quem você ama. Não subestimem e-mails carinhosos, mensagens no meio da tarde, scraps bonitinhos, testimonials longos, não subestimem ligações tarde da noite, não subestimem uma visita depois do trabalho, mesmo estando tão cansado...
Não subestimem sonhos de casamento. Não subestimem a vontade de ter filhos. Não subestimem declarações de amor, não subestimem cartas tímidas, mas escritas com sinceridade. Não subestimem a paixão, por mais louca e utópica que ela pareça. Ela que move nossas vidas.
Não subestimem o amor que vence distâncias. Não subestimem o tempo: nunca ninguém saberá o quanto é necessário para esquecer alguém. Não subestimem aquela música que toca em um show qualquer, que pode ser nada pras outras pessoas, mas que toca o fundo da tua alma e te faz querer chorar ali mesmo.
Não subestimem pedidos de desculpas. Todo mundo erra, é fato, mas já que não se pode evitar o erro, perdoe com a alma limpa e não fique jogando o acontecido na cara de quem te pediu perdão. Não subestime sorrisos que descortinam quando você chega. Não subestimem abraços apertados, demorados. Não subestimem o fato de alguém se importar com você, seja ligando pra saber se você chegou bem em casa, seja te brigando por você não ter mais cuidadoso.
Não subestimem as tentativas. Não subestimem reclamações, que não são nada mais do que críticas e que se forem construtivas, podem melhorar muita coisa. Não subestimem as lágrimas... quando elas vêm, é porque já ultrapassaram o controle de suas emoções.
E o mais importante: não subestimem gestos que vêm do coração. Porque eles realmente valem mais do que palavras.
Então já era de madrugada, ele tocou “More Than Words” e não foi preciso falar mais nada.

Posted by: Loy*

quarta-feira, janeiro 31, 2007

E eu disse fica bem, que eu sofro um pouco mais.

Um dia eu achei que eu ia ser uma grande jornalista – daquelas que cobrem as guerras, que escrevem sua própria coluna em revistas importantes, que aparecem na TV em debates sobre temas polêmicos. Isso não aconteceu. Eu achei também que eu poderia ser uma grande produtora musical – que petulância a minha... Não entendo nada de música – nada para ser uma produtora.
Achei tantas coisas da minha vida. Que eu ia ser sempre a melhor em tudo. Que eu ia ganhar muito dinheiro. Que eu ia morar fora do país. Que eu ia ter meu carro aos dezoito anos.
Achei que ia morar com minhas amigas no Leblon. Que íamos ser profissionais da música de bandas importantes. Achei que a minha produtora fosse a idéia mais promissora daqui.
Passou pela minha cabeça também que eu ia ser a maior professora de inglês de todos os tempos. Que eu poderia, em minha humilde condição, dar aulas de Literaturas da Língua Inglesa em alguma universidade. Quem sabe até mesmo fora do país. Ao passo que também achei que ia morar num lugar bem frio e aconchegante, onde eu pudesse usar um casaco e um par de botas de couro e ainda um gorro.
Achei que eu ia ver as folhas caírem coloridas das árvores no outono de Nova Iorque. Achei que eu ia andar no Central Park de mãos dadas com alguém. Ou talvez que eu fosse morar no país da folha de Mapple, seguindo alguma banda famosa que pudesse fazer sucesso por lá.
Achei que eu fosse alguém importante na vida de alguém, e que eu pudesse fazer a diferença. Que talvez eu fosse a pessoa mais importante que a outra pessoa já conheceu – que presunção! Que eu fosse sincera, amiga, companheira e acima de tudo essencial.
Achei que eu fosse responsável – tanto pelos meus atos, quanto pela minha vida. Nem vou dizer o que eu descobri com relação a isso. E achei que tal responsabilidade fosse contagiante.
Achei que eu nunca pudesse ser louca, ou um tanto quanto “desvairada”. Que nunca gritaria, choraria ou puxaria meus cabelos. Achei que fosse apenas uma pessoa ordinária (não em sentido pejorativo) e sem diferencial.
Sempre achei que tinha amigos que estariam ao meu lado. E que nunca iríamos nos separar. Sempre achei que a amizade fosse algo essencial.
Achei que era romântica e real. Acabei descobrindo que também era contraditória, pois achava que era maravilhoso sonhar.
Achei que ia crescer e me tornar uma mulher feliz – (não cresci muito, diga-se de passagem). Que ia chamar atenção, não por atributos físicos, mas pela minha personalidade, que eu julgava ser diferente.
Achei que eu deveria acreditar muito nas pessoas. Que elas me fariam bem. Ledo engano. Assim como eu achei que a minha família era a mais feliz do mundo e que eu era abençoada por isso. Outro engano.
Achei que eu era otimista e equilibrada. A vida não te deixa ser otimista. Ela quebra as tuas pernas e te deixa desacreditada de muitas coisas.
Eu achei que eu podia consertar o mundo. Não, eu não posso. Algumas coisas são fortes demais para você lutar contra elas. Eu me rendi.
Eu achei que nunca fosse me tornar uma pessoa amargurada e quando era criança eu não entendia porque algumas pessoas simplesmente não conseguiam ser felizes ou simplesmente dar um sorriso de alguma brincadeira. Eu descobri que era exatamente porque eu era criança. Era bonito ser criança – os adultos têm preocupações demais. Eu odeio ser adulta.
Eu achei que fosse madura. Dá até vontade de rir.
Eu achei que eu fosse forte. Que ia ter força de vontade. Que ia “let go”. Que as coisas passariam por mim sei efeitos maiores. To morrendo por dentro sem forças.
O maior de todos os meus achados foi achar que eu tinha encontrado o amor da minha vida. Achar que eu ia casar e ser muito feliz. Quem consegue ser feliz? Eu achei que era privilegiada e que tinha o que poucos têm: o amor. Parece que ele mesmo não quer nada comigo. Ele mente e brinca comigo como se eu fosse uma boneca, só para achar que eu sou feliz e que eu mereço tudo isso. Eu queria tanto esse amor. Eu achei que ele era meu e que nada ia tirar ele de mim.Mas tudo isso eu só achei...

terça-feira, janeiro 30, 2007

Miracles happen everyday


Todos os dias, quando eu acordo de manhã, essa é a primeira frase com a qual eu me deparo. Daí vou ao banheiro, e a frase está lá...
Antes, eu olhava no espelho e lembrava do Coverdale. "I look in the mirror, don't like what I see... in my reflection, a stranger staring at me".
Dizem que "a miracle life starts with the pain…". É, talvez seja verdade. Depois de muito chover na cidade, de repente o mau tempo passou. Os dias estão amanhecendo de forma bem promissora, as tardes não estão escuras (pelo menos daqui da janela do trabalho) e as noites bem mais aconchegantes.
"It's been raining since you left me...", diria o Bon Jovi. E aí, cara, voltou com a mulher depois dessa linda declaração? Deixa a Anna Nalick te ensinar que "better off, you sparkle on your own". É melhor se acostumar com estas situações da vida, meu amigo, ou então você vai passar muito tempo ainda cantando suas dores de cotovelo, como "never say goodbye..."
Sabe quando teus pensamentos dão uma zerada? E você sente que colocaram um chip novo de memória, de forma que era tanta merda na tua cabeça, tanta, que até serviu de adubo para plantar coisas bem melhores! (essa analogia foi interessante). Você começa a se dar conta de quantas coisas fodas existem na tua vida. Porque você trabalha em um lugar maravilhoso, fazendo o que mais gosta de fazer, convivendo com pessoas fantásticas e ainda ganhar bônus inesperados...
O fato é que existem tantos mundos paralelos, tantos mundos maravilhosos, como florestas fechadas que pedem pra ser desbravadas... aquele mundo falecido, é pequeno, vil, torpe. Não tem nada de promissor. As vontades carnais, volúveis que vem dele, são ridículas. Eu olho para elas e rio. Rio porque enquanto ele ficou ali, pequeno, um outro mundo muito maior, um universo inverso, sonhos e aspirações mais empolgantes, ganharam destaque. É engraçado pensar nisso, porque inevitavelmente o mundo falecido vai ficar meio putinho. E eu fico por aqui manipulando aquilo que não mais me interessa e dando preferência para aquilo que pode ser bem mais divertido do que tudo que já foi um dia.
Mas é claro que, como diria o Coverdale, "some things are better left unsaid..." e é verdade. Aqui dentro sinto que estão explodindo tantos sentimentos e eu fico com aquele sorrisinho sacana, como quem guardasse um segredo.
Se ao menos pudéssemos reviver certos momentos... certos sabores, músicas, olhares, cheiros... mas sabe o que é o melhor de tudo? Você viveu. Aquilo realmente aconteceu. Eu às vezes tenho medo do que desejo. Porque, por mais que demore, depois de um tempo eu me pego pensando: porra, não é que aconteceu mesmo?
Sky is the limit. E para recordar aquele violão, lindamente tocado por quem é o quarto melhor entendedor de cordas do mundo, e eu, cantando o mais alto que podia, aqueles acordes: "Fly high... reaching sky... same horizon, but in different lands".
A vida, meus amigos, é muito mais do que a gente imagina.

posted by: Loy*
ouvindo: Reaching Horizons

quarta-feira, janeiro 24, 2007

Miles away

4000km de Manaus. Sente minha falta?
Claro que não. Eu estive aí por bastante tempo e nada aconteceu.
Mas como eu estava comentando com a minha mãe... só de ter a possibilidade de ver uma pessoa a hora que vc bem entender, dá uma certa segurança. Agora tente enfrentar vários rios, florestas, estradas em meio a isso... parece complicado, hein?
Miles away. E como bem diria o resto da música, nothing left of what we had..
Just when I needed you most, you were miles away. Mesmo estando em Manaus, você estava a milhas de distância.

Good life, volto depois. Depois que tiver riscado mais um item da minha lista de "Coisas a fazer antes de morrer".

Porque eu posso. E eu quero.

posted by: Loy*
ouvindo: o rapaz tocar saxofone aqui perto.

segunda-feira, janeiro 22, 2007

I shine a little more lately...

E é tão confortável, como sentar em um sofá quentinho e olhar pra chuva caindo do lado de fora da janela. É sentir-se mal por um instante e pensar que só e somente só a gente pode se confortar. É saber que as flores nascem rápido depois de uma tempestade. É pensar que cada filme de comédia romântica, digno de posto de "pérola da sessão da tarde", parece com a tua vida. Até então, pelo menos. Exceto que o final feliz ainda não veio.
Mas hey... não estamos falando de comédias românticas?
Então o final feliz vem, com certeza. Pode esperar.

When you love someone, and you love them with all your heart, it never disappears when you're apart. And when you love someone and you've done all you can do, you set them free, and if that love was true...when you love someone it will all come back to you.

posted by: Loy*
ouvindo: someday... oh, someday. And I shine a little more lately...

packing.

quarta-feira, janeiro 17, 2007

Too many expectations

Katie Morosky Gardner: I don't have the right style for you, do I?
Hubbell Gardner: No, you don't have the right style.
Katie Morosky Gardner: I'll Change.
Hubbell Gardner: No, don't change, you're your own girl, you have your own style.
Katie Morosky Gardner: But then I won't have you. Why can't I have you?
Hubbell Gardner: Because you push too hard, every damn minute. There's no time to ever relax and enjoy living. Everything's too serious to be so serious.
Katie Morosky Gardner: If I push too hard it's because I want things to be better, I want us to be better, I want you to be better. Sure I make waves you have I mean you have to. And I'll keep making them till your everything you should be and will be. You'll never find anyone as good for you as I am, to believe in you as much as I do or to love you as much.
Hubbell Gardner: I know that.
Katie Morosky Gardner: Well then why?
Hubbell Gardner: Do you think if I come back its going to be ok by magic? What's going to changed? What's going to be different? We'll both be wrong, we'll both loose.
Katie Morosky Gardner: Couldn't we both win?
Hubbell Gardner: Katie, you have too many expectations.
Katie Morosky Gardner: Oh, but look what I’ve got…

posted by: Loy*
ouvindo: preciso dizer que te amo..

sábado, janeiro 13, 2007

Meio bossa nova, meio rock'n'roll


Se somente palavras bonitas pudessem fazer alguém se apaixonar pela gente, ou eu já teria caído nessa leseira, ou já teria ganho outras pessoas...
O problema é que eu escrevo, escrevo e não mando. Esqueço, guardo em outras pastas onde não posso ver. Quando, vira e mexe, me deparo com as cartas que nunca entreguei, reparo em quanto o jogo de palavras que uso é bonito, com o único intuito de tocar o coração da pessoa pretendida.
Mas eu sei que nada disso dá certo. Não seriam palavras que fariam a gente gostar de outra pessoa. Elas só mexem com alguém, se esse alguém já foi tocado primeiro.
Não perco mais meu tempo. Vou ficar onde estou, me conformar com o que aconteceu e incutir na minha cabeça que merdas como essa não fazem mais a mínima diferença depois de um tempo. É, depois de um tempo, o nome daquela pessoa que dividiu tantos momentos contigo, não significa mais nada. Pode ser que ele ainda surja na tua cabeça de vez em quando, mas não será nada mais do que um eco, um eco do passado (como diria o Ian Gillan, "I am the echo of your past...") algo que não faz mais sentido, como as unhas que continuam crescendo depois que a gente morre.
E então só me resta pensar nas escolhas que fazemos. Vale tudo, mas só uma coisa não pode rolar: arrependimento. Mesmo não falando publicamente, se sentir arrependimento, é o mesmo que nada. Que nada valeu a pena.
Vou confessar uma coisa: eu até me arrependo. Mas só me arrependo do que faço, e não do que não faço. Eu não deixo nenhum trem passar por mim, eu agarro com todas as minhas forças as boas oportunidades que aparecem na minha frente. Não durmo com vontade.
Pois acabei de descobrir que tenho um arrependimento. Ter dado tanto de mim, ter oferecido tanta coisa, me doado tanto para fazer algo dar certo e em troca receber apenas migalhas. Depois sentar, analisar o que aconteceu e me dar conta de que apesar de viver três dias ruins e um bom, eu batalhava diariamente para que as coisas melhorassem. Algo que deveria ser a minha válvula de escape, passou a ser a preocupação central da minha vida... Pelo menos eu tentei. Não vou conviver com a culpa de que "ah, eu poderia ter feito assim...", porque eu fiz. Agora foda-se, life goes on.

posted by: Loy*

Motivo de felicidade 1: Não pode ser, é coincidência demais. Viajo a trabalho pra cidade mais desprincipal do mundo, São Caetano do Sul, na semana em que o Angra vai fazer o último show no Brasil por estes tempos. Só adivinhem onde vai ser esse show...
Motivo de felicidade 2: Com meu violão afinado, toco Looking For Love tanto, mas tanto, que minha mãe já sabe cantar tudinho. Valeu, Jean!
Motivo de felicidade 3: Desse jeito fico mal acostumada com a sorte. Não é que ganhamos a quadra na mega sena?