sexta-feira, dezembro 29, 2006

Garotas simples X Garotas complicadas

Assisti semana passada “The Way We Were”. Claro que assisti sozinha, afinal este é um filme para “meninas”.

Fiquei enebriada pela melancólica história. E depois de enxugar algumas lágrimas vendo o final, não pude parar de pensar em tudo aquilo de que trata a trama.
Tive uma revelação, do tipo Carrie Bradshaw em Sex and the City (não vou negar que uma das razões pela qual aluguei o filme, que não é nenhum lançamento, foi a menção que ela fez dele no seriado).
Existem dois tipos de mulheres no mundo: as simples e as Katie’s.
As garotas simples são as melhores esposas, melhores donas de casa, pessoas super compreensíveis, sociáveis e que aparentemente se dão bem com todo mundo. Reclamar é o último verbo da lista destas mulheres. Sempre sorridentes, tudo está ótimo! (ou pelo menos é essa impressão que elas me passam). São pessoas simples em um geral. Não digo nem no quesito financeiro, mas a vida para elas é demasiadamente descomplicada e não há motivos para maiores reclamações. Paz, sempre paz... relaxar, curtir a vida. Sem maiores pretensões além destas.
Agora, as Katie’s são outra história...
Hubbell Gardner era completamente apaixonado pela Katie Morovksy em “The Way We Were”. Ela era uma revolucionária, politizada, reclamona, bate-pé, causuísta e idealista. Tinha um cabelo enorme todo enrolado e era uma pessoa difícil de lidar, pelo menos era o que pensava Hubbell e seus amigos.
O fato é que mulheres como Katie são o que eu chamo de mulher de verdade. Frequentemente, estas são as mulheres que têm as melhores idéias, que têm atitude, trabalham, dizem o que pensam e se recusam a sorrir em uma sala cheia de pessoas que só fazem piadas idiotas para ter algo para falar. São mulheres inteligentes, espertas, que sabem o que querem e não têm medo de parecem um pé no saco quando reclamam de alguma coisa que não as satisfaz ou que elas acham estar errado.Eu definitivamente devo dizer que sou uma Katie.
E francamente, os homens deveriam amar este tipo de mulher...
De qualquer forma, apesar toda essa coragem que temos dentro de nós, (nós, Katie’s) nos vemos frequentemente em situações nas quais não nos encaixamos. Não estou falando daquela sala cheia de pessoas idiotas que mencionei antes. Digo que quando o amor bate à nossa porta, parece ser um momento único.
De repente, isto é a melhor coisa que já poderia ter acontecido com a gente! De repente, as noites que passamos sozinhas em nossos quartos, ouvindo a música que amamos (e que provavelmente muita gente reclama por não entender nosso gosto único), vendo aqueles filmes que amamamos, tudo parece... sem sentido.
E então tudo que pensamos é em estar com o cara. Depois de um tempo, a gente nem reconhece mais tudo aquilo que foi e que tanto amava ser... nossas características únicas que nos definiam como pessoa.
Desculpe, odeio fazer comparações, mas uma das minhas melhores amigas simplesmente não consegue perceber que isso acaba com a gente e que está acabando com ela também. Amiga, quando você vai perceber que isso não tem futuro? Você só está adiando um sofrimento que será muito maior daqui um tempo... desculpe a sinceridade, mas mais do que eu, você sabe que falo é real.
Sabe por que? Porque somos demais para certas pessoas. Quando eles nos conheceram, já éramos demais, certo? Até tínhamos nome de heroínas, as supernovagirls! Mas ainda assim deixamos eles nos moldarem. Eu, me reinventar por conta de outro alguém? Não acho que tenho mais forças para tal. E outra...
No fim das contas, eles preferem as garotas simples. Hubbell preferiu a garota simples após deixar Katie, mesmo sabendo que atingiu seu auge quando estava com aquela que era uma mulher de verdade e que queria que ele fosse um homem melhor. Potencial ele tinha, só faltava agir, e era isso que ela queria que ele fizesse. Não, não eram reclamações à toa. Peraí, estou tendo um dèja vu...
De qualquer jeito, eu sou uma Katie. Só falta, daqui a um tempo (God knows when), achar um cavalo selvagem que queira correr junto comigo, sem querer me domar.

Have a good life, Hubbell.

posted by: Loy*

quarta-feira, dezembro 27, 2006

Welcome (back) to the land of the broken-hearted

Ficar na merda sempre rende boas crônicas. Espera aí... eu já não disse isso antes?

Bem, provavelmente irei começar meus textos por muitos anos com esta frase. Sim, porque hoje me bateu aquela tristeza misturada com desespero ao pensar que ainda terei que enfrentar uns bons anos até achar o que é certo pra mim: todas as vezes terei de ficar na merda? Daí vou sentir como se um martelo estivesse batendo constantemente na minha cabeça e que só irá parar quando eu sentar para escrever.
Nessas horas, tudo quanto é clichê pipoca pra todos os lados. Levando em consideração o fato de que voltei ao ponto de partida, fico no trabalho encarando meu monitor e pensando o que diabos irei escrever hoje. Tenho duas pautas pra terminar, mas ainda não tenho idéia do que pensar. Me dá uma certa agonia ver as pessoas trabalhando ao meu redor e eu constantemente balançando minha perna, como uma descontrolada (minha mãe sempre me briga quando faço isto. Pra ela, é sinal de ansiedade). Pois é, perdi a linha, mas é isso: enquanto os outros estão trabalhando, eu fico procurando músicas e frases da Carrie em “Sex and the City” que encaixem com o que estou sentindo e sentir um momentâneo alívio por ver que não sou a única do mundo e que existem pessoas que me entendem porque já passaram exatamente pelo mesmo caso...
Logicamente que eu não sou a única do mundo. E provavelmente não a última e nem será esta a última vez que eu irei me sentir assim. Quando me dei conta disto, foi que fiquei triste e meio desesperada, como disse no início... me dá preguiça só de pensar o quanto ainda falta lutar e sofrer para então ficar na paz.
Esta é uma situação peculiar, diferente das outras. Me vejo em um túnel que não me dá o mínimo sinal de que haja saída e então eu corro, corro e não chego no fim. O que fazer?
O pior de tudo é saber que nada será como antes... não existirão abraços sinceros; talvez vindos daquelas pessoas que eram meu porto-seguro e por conta de situações da vida, ficaram distantes. Esse também é um ponto crucial e que me dá certa raiva. Como pude ficar tão longe das pessoas que eu dizia constantemente que amava e que estavam sempre comigo, me fazendo rir, me ajudando a crescer, sendo a minha felicidade?
E os abraços sinceros talvez não venham mesmo... só delas. Mesmo que braços sejam abertos e o abraço esteja ali querendo me envolver, não sei que vou acreditar muito nele, não. Não sei se irei conseguir me sentir confortável nesse abraço, se ele vier.
É uma nova queda. Deus sabe, o quanto odeio cair. Porque a cada queda, parece que depois de me levantar, tudo parece mais suspeito. Não me aventuro a correr pelas ruas, ou subir uma calçada alta e muito, muuuito menos escalar uma montanha. Por mais que livros e pessoas me digam que mesmo que eu me machuque na escalada, que mesmo com as pernas doendo, quando eu chegasse lá, saberia o que é ser feliz, já não me atrai muito esse tipo de aventura. Sinto que estou ficando velha e todas as canções que cantei, ecoam em distância... como o som do fazendo a curva.
Sabe como é, eu de vez em quando dou uma de lesa e acabo aceitando essa escalada. Mesmo receosa, penso que a subida não será tão ruim porque já conheço as pedras que estão no caminho. Me esquivo delas, me sinto bem. O jogo está dominado! O problema é que quando chego lá em cima, parece o paraíso!
Aí a gente esquece de tudo... Por que demorei tanto tempo pra subir? Tudo é lindo! E que lesa que eu fui de querer fugir desse sentimento maravilhoso.
É, meu colegas. Vira e mexe, aquele que te ajudou a subir, pode querer te jogar lá embaixo. Aquelas que ainda estão subindo ficam com raiva quando eu digo isso. Não quero desdenhar nada, minhas queridas. É que essa garota aqui sabe o quanto dói a queda e o quanto é desestimulante ter que iniciar uma nova escalada.

Lembro de algo que eu escrevi no início do ano passado (vocês podem conferir se quiserem lá no dia 6 de fevereiro. Ou não, lê aqui mesmo):

"Eu sou uma pessoa boa, eu acho. Tenho vários defeitos, não sou uma lady, sei que xingo, que grito, que sou grossa às vezes, que sou impaciente e ansiosa ao extremo, mas fazer o quê?! Tratamentos psicológicos nunca me ajudaram.Costumo a dizer que nas pessoas que gostamos, certos defeitos são oque há de mais charmoso... de verdade.Também sei o que quero, como disse. Eu tenho planos traçados,aspirações e desejos que anseio realizar e trabalho para isso. Se isso quer dizer dar o melhor de mim, eu o farei".

E isso é ago que segue....

"E eu não hesitarei em fazer sempre isso. Eu não hesitarei em correr atrás do que quero. Eu não hesitarei nunca em fazer as coisas que desejo. Eu só hesitarei... em não fazê-las."

O fato é: não sei se acredito mais nisso aí não.
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uma que eu gostei:

I’ve been thinking about relationships. There are those that open you up to something new and exotic, those that are old and familiar, those that bring up lots of questions, those that bring you somewhere unexpected, those that bring you far from where you started, and those that bring you back. But the most exciting, challenging and significant relationship of all is the one you have with yourself. And if you find someone to love “the you” you love, well, that's just fabulous. Didn’t work out with that man you thought it was “the one”? Well, no matter who broke your heart, or how long it takes to heal, you'll never get through it without your friends. After all (and I’m gonna say this one more time) it's hard to find people who will love you no matter what. I found three of them.

(Carrie – Sex and the City)

posted by: Loy* - welcome to the land of the broken-hearted.