segunda-feira, fevereiro 13, 2006

Alta Fidelidade


O título remete a isso, mas não se trata só de um filme legal com o John Cusack.
Vocês sabem o que é alta fidelidade?

Bem, vou explicar.
Há exatos 30 anos e 1 dia, no dia 12 de fevereiro de 1976, Sílvio Santos avistou um jovem cabeleireiro, que cortava os cabelos de um grupo de teatro... ah, melhor ele contar a história por ele mesmo:

"Eu tinha combinado de cortar o cabelo dos personagens de uma peça de teatro e na peça quem estava vestindo os personagens era a mesma pessoa que vestia o Sílvio. Aí ele aproveitou e cortou o cabelo comigo. Eu cortei o cabelo dele numa quinta-feira, no domingo ele chegou na Rede Globo e falou durante doze minutos com 65 de Ibope. Na segunda-feira, minha agenda foi lotada por três meses, eu ganhava mais ou menos R$ 8 mil por mês passei a ganhar R$ 60 mil por mês".

Desde então, o jovem cabeleireiro, José Jacelino dos Santos, mais conhecido como Jassa, sempre cortou os cabelos (pintados de dois tons de loiro) do seu Sílvio, the godfather, arraiiii hihiii!
O mestre da televisão também teu seu mestre. E não o troca por nenhum outro.
Depois de ter me deparado com tanta fidelidade, não pude deixar de me perguntar... ao que somos fiéis de verdade?
Ao estilo de música que escutamos? A uma marca que gostamos? Aos nossos namorados? Aos nossos tão bem aprumados gostos em geral, comida, cores, roupas, carros, times, religião, política?
Fidelidade é uma coisa difícil para o ser humano. Falemos de relacionamentos: o ser humano NÃO foi feito para ser monogâmico, sabiam disso?
Às vezes acho que a fidelidade é um conceito parco e em decadência. Não seria inevitável que o fascínio nasça entre outras pessoas, outras coisas, várias pessoas, várias coisas que nos fascinam, nos apaixonam?
Aposto como você parou pra pensar nisso!
Fico vendo casais que têm 50 anos de casados... será que essas pessoas nunca enjoam uma da cara da outra, se vendo todo dia, as mesmas conversas, as mesmas vozes, a mesma maneira de pensar... e quando os gostos não são iguais? Como remediar isso?
Essa discussão, pelo menos pra mim, não é à toa. Às vezes eu acho que sofro de um sério problema de enjoar rápido das pessoas com quem mantenho relacionamentos afetivos. Não enjôo da minhas amigas, mas enjôo dos meus namorados. E rápido...
Então de vez em quando me pego pensando: como eu vou casar desse jeito? Será que vou conseguir ser fiel a uma pessoa cuja mesma cara eu vou ter que ver durante mil dias na minha vida, durante anos?
A paixão faz com que a gente tenha vontade de ficar perto o tempo todo, mas mal sabemos que quanto mais ficamos perto, mais rápido enjoamos das pessoas... então, será que num estágio de cega paixão, conseguimos fazer com que a razão fale mais alto e seguremos a onda?
Dizem para mim que depois que a paixão acaba, vem o amor. Mas aí pra mim quando é só o amor, perde a graça. E eis aí uma coisa que realmente me desperta medo e desilusão: quando as coisas perdem a graça.
Será que tudo um dia vai perder a graça?
Qual será o dia que a cor do meu cabelo vai perder a graça?
Qual será os dias em que as músicas que eu amo vão perder a graça?
Quando será que as minhas paixões vão perder a graça?

E agora algo que sempre me perguntei: o amor e a paixão podem andar juntos, na mesma medida?

Porque eu creio que amar alguém sem estar apaixonada, é algo que definitivamente, não tem graça.
E o que mais pode perder a graça?
Devemos ser fiéis até as coisas que já perderam a graça, só pelos bons costumes? Ou por birra e teimosia de mostrar que não erramos, que continuamos com nossas velhas convicções, mesmo que elas já tenham... perdido a graça?

As coisas perdem a graça.
Agora quero que alguém me mostre como manter a graça de certas coisas...
Porque até o seu Sílvio Santos, um dos homens mais ricos do Brasil e que com certeza tem (pelo menos quase) tudo que quer, não abre mão do seu velho e estimado cabeleireiro, o seu Jassa.

Afinal...

O Jassa simplesmente não perde a graça.


para fechar, uma citação do mestre, só pq... ele é o mestre:
"Ninguém nunca vai me sequestrar. Sou muito grande para esconderem. E minha risada é muito conhecida, qualquer um pode perceber". (Sílvio Santos)

posted by: Loy*
cantarolando aqui no trabalho: Mombojó (eu quero ver vc dançaaaarr em cimaaaa DUA faca molhada de sangue.. enfiada no meu coração!)

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

"I'm no good at loving, I'm a friend of pain..." (Whitesnake)

A pior coisa do mundo é sentar na cadeira do seu trabalho, ficar olhando pro monitor e ver o branco da tela tomar conta da sua visão, branco como a sua mente, sem um pingo de inspiração, sem a menor capacidade de produzir algo bom... e pensar que a cidade está te esperando pra tirá-la das trevas da ignorância através das tuas palavras... te faz sentir inútil.
E tudo que vc consegue escrever não pode ser publicado para tanta gente ler, o que no caso, é isso que estou escrevendo agora.
Pq apesar disto aqui ser público, pouca gente vai ler.
[...]
A inspiração dormiu até tarde hoje, esqueceu de me acompanhar pra faculdade, esqueceu de me acompanhar pro jornal...
Está todo mundo trabalhando, digitando rápido, olhando fixamente pros seus respectivos monitores, e eu faço o mesmo, só que com outras palavras e outros propósitos... e não consigo pensar em algo concreto pra começar meu trabalho.
De onde vem a inspiração? Vem quando estamos felizes e a gente começa a pensar o quão boa a vida é, os presentes que ela te dá... ou quando estamos na merda e ficamos bolando teorias que não têm respostas, tem um começo e fim em si mesmas?
O que nos inspira?
É engraçado pensar, mas ficar na merda sempre rende boas crônicas.
A gente começa a pensar no que está acontecendo conosco, e de repente, surgem várias teses sobre o assunto em questão.
Começam pelos questionamentos existenciais: por que isso está acontecendo comigo? o que eu fiz pra merecer isto? estou eu pagando por alguma coisa? será karma? será o destino que está sacaneando comigo?
Falar pra relaxar nessas horas, nem adianta. Questionamentos como estes tem que ser feitos. Um dia, quando sentados na mesa de jantar, podemos levantar com um pulo e falar: "Achei a raiz do meu problema!".
E então? Se não existissem esses momentos em que bancamos psicólogos e filósofos, nunca nenhuma das nossas questões seriam resolvidas. Chega a ser irônico eu começar a me perguntar o que fiz de errado.
Isso instantaneamente me coloca no grupo de pessoas chatas, losers e
depressivas, que só falam, ficam na merda, reclamam e nunca buscam
soluções para seus litígios. Eu busco as soluções que posso. Mas seria hipocrisia dizer que não fico com uma pulga atrás da orelha...

E eu?

Desculpa plagiar tua frase, Coverdale, mas... where did I go wrong?
Não quero pagar de modesta, mas eu sei o que sou. E sei o que quero.
Eu sou uma pessoa de índole positiva, não jogo ovos nas putas na rua
(só de vez em quando eu gosto de lembrá-las da sua condição),estou sempre disposta a ajudar quando me é requisitado ajuda, sempre
ouço dos outros e ainda ofereco meu ombro caso queiram chorar... Não
me importo em tirar do meu bolso pra ajudar meus amigos, não me
importo em ficar com fome mas dar comida pra quem eu sei que passou o
dia inteiro trabalhando e está sem dinheiro pra comprar qualquer coisa pra comer...
Eu sou uma pessoa boa, eu acho. Tenho vários defeitos, não sou uma lady, sei que xingo, que grito, que sou grossa às vezes, que sou impaciente e ansiosa ao extremo, mas fazer o quê?! Tratamentos psicológicos nunca me ajudaram.
Costumo a dizer que nas pessoas que gostamos, certos defeitos são o
que há de mais charmoso... de verdade.
Também sei o que quero, como disse. Eu tenho planos traçados,
aspirações e desejos que anseio realizar e trabalho para isso. Se isso quer dizer dar o melhor de mim, eu o farei.
E eu não hesitarei em fazer sempre isso.
Eu não hesitarei em correr atrás do que quero.
Eu não hesitarei nunca em fazer as coisas que desejo.
Eu só hesitarei... em não fazê-las.

Pelo menos eu pensava assim até um tempo. Hoje, com os meus botões,
começei a duvidar que essas atitudes positivas (no sentido contrário
de omissivas) me ajudam ou me fodem até que ponto. Me ajudam mais...
ou me fodem mais?
Me ajudam por que:
*por que só eu posso aprender com os meus próprios erros;
*por que a vida é só uma e se eu deixar de fazer o que quero, God
knows quando terei outras oportunidades...
*por que, pela minha natureza, eu não me conformo com a passividade
*por que desafios me movem
*por que me dão experiências de vida
*por que mais uma vez, de tudo pode se tirar um aprendizado. Bom, ou
ruim. Se bom, faço de novo. Se ruim...
Me fodem por que:
*por que o risco de sofrer é alto (quanto mais alto o pulo, mais fodida a queda)
*por que quando eu percebo que estou sofrendo, começo a fazer análises
idiotas que nem esta
*por que depois eu paro e penso... valeu a pena ter sofrido, se eu
poderia ter evitado?

É algo para se pensar. Afinal, a tarde passou correndo, já são 18h e eu não fiz absolutamente nada de produtivo no meu trabalho.

Como diria a Carrie Bradshaw...

Is it all worth it?

posted by: Loy*
cantarolando: Too Many Tears - Whitesnake (Some things are better left unsaid... but all I do is cry instead... now I've cried me a river... thinking how it used to be.)