quarta-feira, janeiro 04, 2006

TEMOS UM GRINCH EM MANAUS!


Rapaz, esse aqui vai ser o primeiro texto que eu vou postar nesse nosso blogger tão especial, criado por uma pessoa tão especial quanto é minha irmã querida Karla Rebecca. Eu já estou tendo a ligeira impressão que todo mundo vai começar com um texto bonito, sobre sentimentos, coisas que mudaram nas suas vidas etc etc etc... Bem, eu sendo como sou, Bruna a tranqueira, a maluquinha, a cover do Medina versão feminina e acima de tudo a engraçadinha da paróquia, não poderia decepcionar meus inúmeros fãs e começar com esse texto bonito. Não! Vou me rebelar e escrever um texto engraçadinho (pelo menos eu espero que as pessoas percebam o humor tão refinado nele...).
Tudo começou em algum dia lá pelo meio de dezembro, quando eu tinha ido dar uma volta solitária aí pela cidade, sem rumo, apenas buscando meu horizonte distante (ah, essa é sim uma música dos los hermanos). Provavelmente era até isso que eu devia estar ouvindo no estimado rádio do meu estimado Honda Civic que em breve deve estar batendo as botas, porque ele tá me dando muito azar no que diz respeito a minha vida afetiva (mas isso é outro texto, não quero entregar o ouro assim tão rápido). Enfim, carro, passeio solitário, marlboro, los hermanos de fundo. Até aí tudo bem... O passeio deve ter durado mais ou menos uma hora e nesse curto espaço de tempo eu vi pessoas em outros carros extremamente estressadas no trânsito...Até aí você vai me dizer: “Porra Bruna, tudo bem estar estressado no trânsito, afinal engarrafamentos e tráfego não são lá os lugares mais relaxantes do mundo...” “Sim sim eu respondo, é claro, todos que já tiveram a oportunidade de pegar um engarrafamento lá pela Djalma ou pela Recife em horário de pico já sentiu vontade de mandar alguém para aquele lugar... Eu entendo”. Mas nesse episódio em questão que eu estou relatando, tratava-se de um horário por volta da meia noite, perto do natal, onde não há razão para se estressar tanto assim...
Explicarei melhor: como já falei e repito, esse meu passeio foi lá pelo meio de dezembro (19 se não me engano, ou seja, seis dias para o natal). Abro aqui um parêntese para dizer o óbvio – Natal é a data em que se comemora oficialmente o nascimento do JC, porra esse foi um cara gente fina acredito, que falava umas coisas bonitas, era muito eloqüente, um cara com ideais e determinação, um cara que mudou a vida no Ocidente e fez com que essa tradição do Natal se tornasse uma data bastante celebrada. De tradições estranhas é verdade, afinal que outra data consagra o pobre peru em alimento oficial? (aliás, a minha ignorância acabou de me bater aqui no ombro e me perguntou o porquê do peru, não sei e sempre quis saber... alguém, por favor, me conte porque o peru se tornou tudo isso no natal, tenho a impressão que deva estar relacionado com o Thanks Giving norte americano... enfim, se eu descobrir conto depois). Mas acima de tudo Natal é uma época em que comumente as pessoas inexplicavelmente se tornam mais caridosas, se abraçam mais, trocam presentes, enfim se sentem bem consigo mesmas. Então aí meu espanto em ver que naquele meu passeio de uma hora pelas ruas de Manaus, as pessoas furavam sinais vermelhos, buzinavam constantemente umas pras outras, proferiam palavras de ódio e gestos obscenos. Tava tudo muito estranho, procurei muito o espírito natalino nesse meu passeio e ele teimava em se esconder.
Voltei para casa me sentindo meio mal por ter visto as pessoas naquele estado, impacientes umas com as outras, inquietas como se estivesse faltando algo no ar. Foi então que me veio a revelação – as pessoas estavam nesse estado de nervos por causa da decoração de natal escolhida para nossa cidade esse ano! Porra, vocês já viram uma coisa mais bizarra que isso? A gente associa o natal a coisas bonitas, o tal do White Christmas, neve, árvores cheias de luzes e bengalinhas de pirulito, papai Noel gente fina deixando presentes nas meias sobre lareiras incandescentes... Opa, errei... isso é natal lá pros paises nórdicos, porque aqui abaixo da Linha do Equador meu filho, não tem neve nem lareiras incandescentes. Porra, sem essas coisas (podem me chamar de fútil agora se quiserem), mas fico com a sensação de que o natal se torna menos natal por aqui e o povo ainda coloca uma decoração medonha como essa? Quem foi esse cara que planejou essa decoração? O Grinch? Sim, pois só posso crer que ele esteja querendo roubar o natal das pessoas... Vejam só, uns índios (nada contra os povos indígenas do Amazonas, mas teoricamente nem natal eles devem comemorar, afinal o rei deles é Tupã, não JC) com cara de serial killers, papai Noel com cara de usuário de heroína (nada contra os usuários de heroína também, mas desculpem-me, papai Noel no máximo toma um chocolate quente na minha visão) e estuprador, e uns desenhos em tribal que se assemelham a toalhas de mesa... que que é isso minha gente? Lugar de toalha de mesa é na mesa, oras, não pairando sobre nossas cabeças fazendo com que a gente pense que está num tipo de universo paralelo (vai lá na estrada do aeroporto pra você ver do que eu estou falando)... E as cores desses enfeites, eram muitas, tudo muito confuso – azul, vermelho, amarelo, branco, até roxo devia ter naquela porra... queremos apenas cores de natal, que merda, isso é uma tradição secular. Cadê o respeito a JC, ô Grinch maldito? No mais, apenas mais uma historinha... Lembra que eu disse que tem um papai Noel que lembra um estruprador?... Pois é, coisa negativa atrai coisa negativa e não podia dar outra. Eis que nosso prestigioso shopping contrata uns bons rapazes para se fantasiarem de papais noéis e fazerem a alegria da criançada por lá. Alegria uma porra, porque um deles, espelhado no exemplo do enfeite do papel Noel estuprador, acabou por molestar uma pobre menina que estava por lá (quem leu os jornais sabe)... Apenas ocultaram o fato de que esse ano tudo foi uma conspiração para arruinar o natal das pessoas, ou vocês acham que essas coisas não estão relacionadas?... Não sonhem meus amigos, isso foi uma obra calculada, meticulosamente planejada pra tornar esse natal num natal, no mínimo atípico, sem o espírito natalino. Mas não se preocupem, isso aqui vai ser mandado pra prefeitura porque se tem uma coisa que não pode faltar no natal aqui dos trópicos é uma decoração de natal, no mínimo, elegante!
Na foto: a toalha de mesa usada como decoração de natal na Avenida Djalma Batista!!!
Posted by Bruna Medina (sim! pq baixou o proprio tecladista do Los Hermanos aki!!)

Um comentário:

maltz disse...

não escreves mal, mas ainda assim, reveja alguns conceitos, natal por exemplo é familia, união, e não papai noel e veadinhos...